Caso Banco Master amplia pressão por investigação e empareda STF, PGR e Senado
Saída de Toffoli da relatoria, avanço do inquérito sob André Mendonça e ofensiva por CPI colocam o caso no centro da crise institucional em Brasília
por Redação — 07/04/2026 às 22h08
O caso Banco Master entrou de vez no núcleo da crise política e institucional de Brasília. O que começou como apuração sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro passou a atingir diretamente o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Senado, com cobrança crescente por medidas formais, abertura de novas frentes de investigação e pressão pública sobre autoridades citadas no noticiário. Nas últimas semanas, o tema deixou o campo técnico e se transformou em um dos assuntos mais sensíveis da República.
Um dos episódios que mudaram o peso do caso ocorreu em 12 de fevereiro, quando o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master no Supremo. A decisão veio depois de uma reunião convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para tratar de relatório da Polícia Federal que apontou menções ao nome do ministro em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, os demais ministros divulgaram nota de apoio a Toffoli e afirmaram que não havia motivo para suspeição ou impedimento, mas a saída da relatoria expôs o tamanho do constrangimento gerado dentro do próprio STF.
Com a redistribuição, o caso passou para André Mendonça. Em 18 de março, ele prorrogou por mais 60 dias o inquérito conduzido pela Polícia Federal. A investigação está ligada à Operação Compliance Zero e apura fraudes na concessão de créditos falsos pelo Banco Master, além de fatos relacionados à tentativa de compra da instituição pelo BRB. Segundo a Agência Brasil, as apurações preliminares apontam que o volume investigado pode chegar a R$ 17 bilhões, dado que ajuda a explicar por que o caso ganhou dimensão nacional e deixou de ser tratado como um problema restrito ao mercado financeiro.
No Senado, a reação veio em duas frentes. Em 10 de março, foi protocolado um pedido de CPI para apurar eventuais relações entre Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Poucos dias depois, em 25 de março, um grupo de senadores acionou o Supremo com mandado de segurança para tentar destravar a instalação de uma CPI sobre o Banco Master, alegando demora excessiva e risco de prejuízo às investigações. A movimentação mostrou que o caso já não estava mais limitado ao Judiciário e havia se transformado também em disputa direta entre instituições.
A pressão aumentou ainda mais com o relatório final da CPMI do INSS. Em parecer apresentado no fim de março, o relator recomendou que a Polícia Federal investigue a relação entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, além do contrato de R$ 129 milhões firmado entre o empresário e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para apurar eventual existência de indícios de tráfico de influência e crime de responsabilidade. A recomendação não representa condenação nem prova definitiva de irregularidade, mas elevou o caso a outro patamar e deu munição para novas cobranças políticas e jurídicas.
No campo jurídico, o silêncio da Procuradoria-Geral da República passou a ser alvo de questionamentos públicos. O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, defendeu que os fatos sejam investigados e informou que o Conselho Federal da entidade mantém tratativas com a PGR sobre o tema. Quando uma cobrança desse tipo sai do debate partidário e entra no ambiente da advocacia institucional, o caso ganha outra densidade e passa a ser tratado como problema real de credibilidade para o sistema de Justiça.
Do lado dos ministros citados, há negativas formais. Alexandre de Moraes afirmou que são falsas as alegações de que tenha viajado em aeronaves de Daniel Vorcaro ou em companhia dele. Segundo a manifestação divulgada após reportagem sobre o tema, o escritório Barci de Moraes informou que contrata serviços de táxi aéreo, mas negou relação direta entre o ministro e o banqueiro nos termos em que o caso passou a ser narrado publicamente. Esse ponto é central porque mostra o estágio atual da crise: há suspeitas, há notícias, há pressão e há respostas oficiais negando irregularidades, enquanto o avanço concreto depende de atos formais de investigação.
Nesta terça-feira, 7 de abril, surgiu mais um capítulo relevante. O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, declarou impedimento para julgar processos envolvendo o Banco Master. A informação foi confirmada pelo Poder360 após ter sido revelada pelo Estadão. O gesto não altera o eixo principal do inquérito no STF, mas amplia a percepção de que o caso já provoca efeitos práticos em outras cortes e agrava o desgaste institucional em torno de autoridades que tiveram algum tipo de proximidade social ou circunstancial com o dono do banco.
O quadro, neste momento, é simples de entender e difícil de resolver. O inquérito segue aberto, o Senado tenta abrir uma frente própria de apuração, a advocacia pressiona por esclarecimentos e a PGR continua sob cobrança para definir se avançará ou não sobre pontos que passaram a envolver nomes de peso do Judiciário. O caso Banco Master já virou teste de resistência para as instituições. O que Brasília decidir fazer daqui para frente vai dizer se a crise será contida com investigação séria ou se continuará sendo empurrada até ganhar tamanho ainda maior.




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