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Colo” fecha com chave de ouro e mostra a força das artes visuais em Barueri

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Colo” fecha com chave de ouro e mostra a força das artes visuais em Barueri

Mostra do projeto Mestres em Foco foi bem recebida pelo público e reuniu obras de professores artistas da Secretaria de Cultura e Turismo

por Redação
03 de junho de 2026, às 5h35

A exposição “Colo – Homenagem ao Dia das Mães” chegou ao fim em Barueri com avaliação positiva, boa recepção do público e a sensação de que o projeto cumpriu seu papel cultural. Realizada dentro do Mestres em Foco, a iniciativa reuniu professores artistas da Secretaria de Cultura e Turismo e apresentou diferentes leituras sobre maternidade, afeto, memória, cuidado e vínculo familiar.

Para entender o resultado da exposição e a importância do projeto, o Portal Agora Oeste entrevistou Paula Portela, coordenadora do Departamento de Artes Visuais da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri. Durante a conversa, Paula falou sobre a proposta da exposição, a valorização dos professores artistas e o papel da arte na forma como o público observa, sente e interpreta o mundo.

A exposição foi pensada como uma homenagem ao Dia das Mães, mas não ficou restrita a uma abordagem comemorativa. O tema “colo” permitiu leituras mais amplas. Nas obras, o público encontrou maternidade, proteção, ancestralidade, infância, afeto, memória e presença. A força da exposição esteve justamente nessa abertura: cada artista partiu do mesmo tema, mas chegou a uma interpretação própria.

O encerramento com boa recepção mostra que o projeto conseguiu dialogar com o público. Ao longo do período de visitação, a exposição recebeu pessoas interessadas em arte, alunos, famílias, professores e visitantes que circularam pelo espaço expositivo da Praça das Artes. A proposta aproximou o público das artes visuais sem tornar o conteúdo distante ou excessivamente técnico.

Na avaliação de Paula Portela, esse é um dos pontos mais importantes de uma exposição. A arte precisa chegar às pessoas, provocar alguma reação e abrir espaço para novas leituras. Para ela, o visitante não precisa dominar teoria artística para ser tocado por uma obra. A experiência de observar, relacionar e sentir já cria uma forma de contato com a linguagem visual.

A coordenadora resume essa visão em uma frase direta: “A arte move o pensamento.” A ideia ajuda a explicar a força do projeto. Uma exposição não entrega apenas imagens para serem vistas. Ela coloca o visitante diante de símbolos, memórias, sensações e perguntas. Mesmo quando a pessoa não verbaliza tudo o que sentiu, algo se desloca na forma de olhar.

No caso de “Colo”, esse movimento aconteceu a partir de um tema muito próximo da vida cotidiana. A maternidade apareceu como gesto de proteção, esforço, entrega, força e continuidade. O colo não foi tratado só como imagem de carinho. Nas obras, ele também apareceu como abrigo diante do mundo, como memória familiar, como vínculo ancestral e como presença que atravessa gerações.

O projeto também teve outro mérito: valorizou os professores de Artes Visuais como artistas em atividade. Muitas vezes, o público conhece esses profissionais pelo trabalho em sala de aula, mas não acompanha sua produção autoral. O Mestres em Foco muda essa percepção ao colocar os educadores no centro da exposição, mostrando que quem ensina também pesquisa, cria, experimenta e produz obra com identidade própria.

Essa escolha fortalece a cena cultural da cidade. Ao expor trabalhos de professores artistas, Barueri aproxima ensino, produção e público. A exposição deixa claro que a formação artística não acontece apenas durante as aulas. Ela também se constrói no contato com obras, na conversa com artistas, na observação dos processos e na circulação da produção local.

Durante a entrevista, Paula destacou que a arte pode impactar tanto quem produz quanto quem observa. Para o artista, a criação funciona como expressão, pesquisa e forma de organizar sentimentos, ideias e experiências. Para o espectador, o contato com a obra pode despertar lembranças, provocar reflexão e criar conexões com histórias pessoais. É nesse encontro entre obra e público que a exposição ganha vida.

Esse ponto é essencial para compreender o sucesso de “Colo”. A exposição não dependeu de um discurso complicado para funcionar. O tema era acessível, mas as obras tinham densidade. O visitante podia entrar pela emoção imediata da maternidade, mas também encontrar camadas ligadas à ancestralidade, à força feminina, ao cuidado, à memória e ao sentido de pertencimento.

A diversidade de linguagens também contribuiu para o bom resultado. A exposição reuniu pinturas, composições figurativas, telas circulares, obras simbólicas e trabalhos ligados a diferentes técnicas. Essa variedade permitiu ao público circular por interpretações distintas do mesmo tema. Algumas obras apostaram em impacto visual; outras, em delicadeza. Algumas trouxeram tensão; outras, respiro. O conjunto criou uma experiência equilibrada.

Entre os nomes presentes na exposição estavam Maynara Jesus, Paula Portela Motono, Tânia Britto, Arthur Murro, Ana Paula Oliveira, Rosinha, Juliana Soares, Denise Gomes Dantas, Bruno Henrique e Val Santos, além de outros profissionais ligados às Artes Visuais. A presença de diferentes trajetórias reforçou a proposta do projeto: mostrar a pluralidade da produção artística feita por professores e artistas que atuam na formação cultural da cidade.

A obra de Maynara Jesus, por exemplo, chamou atenção pela força visual ao tratar a maternidade como proteção em meio a um ambiente instável. Já a obra de Paula Portela Motono trouxe a figura de Eva como símbolo de escolha, consciência e primeira maternidade. Tânia Britto apresentou uma leitura ligada à força materna e à ancestralidade, enquanto Arthur Murro trouxe uma abordagem mais contemplativa, marcada por suavidade e introspecção.

Essas leituras distintas ajudaram a exposição a escapar de uma homenagem previsível. “Colo” não se limitou a representar mães de forma idealizada. A exposição tratou o tema com mais maturidade, mostrando que maternidade também envolve proteção, medo, força, presença, memória, instinto, afeto e responsabilidade. Esse cuidado deu mais profundidade ao conjunto.

Na visão de Paula Portela, projetos como esse têm relevância porque criam acesso à arte e ajudam o público a se aproximar da produção cultural. Uma pessoa que entra em uma exposição pode reconhecer uma imagem, lembrar de uma experiência, se emocionar com uma cena ou simplesmente passar a olhar um tema conhecido de outra forma. Esse impacto, mesmo silencioso, faz parte da função social da arte.

A fala da coordenadora também aponta para a importância da continuidade. Quando a cidade mantém projetos que dão espaço aos artistas, o público passa a ter mais oportunidades de contato com diferentes linguagens. Ao mesmo tempo, os professores artistas ganham visibilidade, currículo e reconhecimento. A cultura deixa de ser apenas evento pontual e passa a funcionar como processo.

O sucesso de “Colo” mostra que existe espaço para esse tipo de proposta em Barueri. A boa recepção do público indica que exposições com tema claro, obras bem selecionadas e artistas preparados conseguem atrair visitantes e gerar interesse. A presença do público também confirma que a Praça das Artes segue como um ponto importante de circulação cultural na cidade.

Ao final da programação, a exposição deixa uma marca positiva. O projeto aproximou professores, artistas, alunos e visitantes; valorizou a produção dos educadores; apresentou obras de forte apelo visual; e tratou a maternidade de forma sensível, sem cair em simplificações. A arte apareceu como linguagem capaz de traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras.

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