Pesquisa BTG/Nexus expõe pressão por troca de Flávio por Michelle
Levantamento mostra Lula à frente no primeiro e no segundo turno, enquanto caso envolvendo Daniel Vorcaro aumenta pressão sobre a pré-campanha bolsonarista
por Redação
25 de maio de 2026, às 17h05
A nova pesquisa BTG/Nexus acendeu um alerta direto no tabuleiro eleitoral de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (25) e mostra que a disputa segue competitiva, mas com vantagem do atual presidente no cenário testado.
Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 5%, Romeu Zema, com 4%, Renan Santos, com 3%, Joaquim Barbosa, com 2%, além de Augusto Cury e Cabo Daciolo, ambos com 1%. Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, enquanto 2% não souberam ou não responderam. A pesquisa ouviu 2.045 eleitores por telefone entre os dias 22 e 24 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-04193/2026.
No segundo turno, Lula também aparece à frente de Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, o petista tem 47% das intenções de voto, contra 43% do senador. Brancos, nulos ou nenhum somam 9%, e 1% não soube ou não respondeu. Embora o resultado ainda esteja próximo da margem de erro, a vantagem de Lula cresceu em relação à rodada anterior, quando o placar era de 46% a 45%.
O dado mais sensível para a campanha de Flávio está na rejeição. De acordo com o BTG/Nexus, a rejeição ao senador chegou a 50% pela primeira vez na série, enquanto a de Lula oscilou para 47%. O próprio instituto aponta que o campo da pesquisa ocorreu após a divulgação de áudios e da visita de Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, episódios que passaram a pressionar a pré-campanha do senador.
Flávio Bolsonaro admitiu ter mantido contato com Daniel Vorcaro para tratar de apoio financeiro a um filme sobre Jair Bolsonaro, mas nega crime, vantagem indevida ou uso de dinheiro público. Segundo a Agência Brasil, o senador afirmou que a relação se limitou a um patrocínio privado e disse que não ofereceu favorecimento em troca.
A Reuters também registrou que Flávio confirmou ter encontrado Vorcaro após a primeira prisão do ex-banqueiro, afirmando que a reunião teria servido para encerrar as tratativas relacionadas ao projeto do filme. O caso passou a ser acompanhado de perto pelo mercado e por lideranças políticas porque pode afetar uma disputa presidencial ainda aberta.
A crise aumentou a discussão interna na direita sobre a viabilidade eleitoral de Flávio. Reportagem da Folha apontou que o caso reabriu tensões entre aliados do senador e o entorno de Michelle Bolsonaro. Segundo o jornal, pessoas próximas à ex-primeira-dama passaram a demonstrar distanciamento, enquanto dirigentes veem risco de novos fatos sobre a relação de Flávio com Vorcaro.
Em análise técnica, Thiago Turetti, especialista em marketing político e Diretor de Marketing da Mídia MKT Marketing Digital, avalia que o principal problema da direita neste momento não é apenas a diferença numérica nas pesquisas, mas o risco de desgaste contínuo até a eleição. Para ele, uma candidatura presidencial precisa chegar ao período eleitoral com narrativa controlada, baixa vulnerabilidade jurídica e capacidade de unir o campo político ao redor de um nome competitivo.
Na avaliação de Turetti, Michelle Bolsonaro tende a ser vista por parte do campo conservador como uma alternativa de menor exposição imediata, principalmente porque não está no centro do caso Vorcaro e mantém força simbólica entre segmentos importantes do eleitorado bolsonarista. Ele considera que, do ponto de vista de comunicação eleitoral, a permanência de Flávio na disputa oferece à esquerda um alvo mais previsível, com potencial de desgaste nacional e reflexo negativo sobre candidaturas conservadoras em outros estados.
“O risco estratégico para a direita é disputar uma eleição presidencial com um candidato que pode ser atingido por novas revelações perto do período decisivo. Mesmo que não haja condenação, a campanha passa a gastar energia explicando crise, e não apresentando projeto. Em política, isso custa caro”, afirma Turetti.
O especialista pondera que qualquer troca de nome teria custo interno e dependeria de acordo político dentro do PL e do núcleo bolsonarista. Ainda assim, segundo ele, a discussão sobre Michelle cresce porque a direita precisa avaliar não só quem tem voto hoje, mas quem teria menor risco de contaminação eleitoral no momento da campanha oficial.
Para Turetti, o quadro é especialmente delicado porque uma crise presidencial pode atingir deputados, senadores, prefeitos aliados e candidatos estaduais. “Quando o topo da chapa entra em crise, o problema não fica restrito ao candidato. A narrativa adversária desce para toda a base. É isso que pode preocupar o campo conservador”, analisa.





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