Jovem atleta de Barueri faz história ao ser convocado para a seleção brasileira paralímpica
Campeão brasileiro sub-19 da classe BC2, jovem atleta da cidade é convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal e entra em uma nova fase da carreira no esporte paralímpico
por Redação — 22 de abril de 2026, 21h45
Barueri ganhou nesta semana uma notícia de peso no esporte paralímpico. Aos 17 anos, Marcos Cezário Silva foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal de bocha paralímpica, um avanço grande para um atleta tão jovem e um sinal claro de que seu nome passou a ocupar espaço entre os principais talentos da modalidade no país.
A chamada coloca o atleta barueriense em um grupo que reúne nomes já consolidados da bocha nacional. A convocação divulgada nos últimos dias prevê a participação dos selecionados em duas frentes: parte do elenco seguirá para a Fase de Treinamento 04, na capital paulista, entre 21 e 26 de abril, enquanto outro grupo disputará a Montreal Boccia Cup, no Canadá, entre 26 de abril e 5 de maio. Só o fato de Marcos aparecer entre os convocados da seleção principal já muda o tamanho de sua trajetória.
Na prática, essa convocação não caiu do céu nem veio apenas por causa de uma competição isolada. Marcos já era acompanhado havia tempo pela comissão técnica da Associação Nacional de Desporto para Deficientes. A medalha de ouro conquistada recentemente no Campeonato Brasileiro de Jovens, em Curitiba, ajudou a colocar ainda mais luz sobre seu desempenho, mas o caminho até aqui vem sendo construído há anos, com rotina, disciplina e resultado dentro de quadra.
Na categoria BC2, Marcos não chegou ao topo por acaso. Ele vinha chamando atenção justamente por competir bem diante de atletas mais experientes, algo que costuma pesar bastante em avaliações técnicas desse nível. Aos poucos, foi deixando de ser visto apenas como uma promessa local para virar um nome real no radar nacional. A convocação agora carimba isso de vez.
O momento ganha ainda mais força quando se observa o contexto. Marcos mora na Vila São Luiz, estuda pela manhã na EMEF Professora Elisa Chaluppe e mantém uma rotina de treinos de duas a três vezes por semana na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Barueri. Fora do discurso pronto e da celebração fácil, o que aparece aqui é um jovem que concilia estudo, treino e ambição esportiva em uma fase da vida em que muitos ainda estão tentando descobrir o próprio rumo.
A história também tem um lado humano forte. Convocado ao lado de Dinavaldo Cezário Silva, seu pai e assistente esportivo, Marcos chega à seleção principal carregando uma estrutura de apoio que fez diferença em sua formação. No esporte paralímpico, esse entorno costuma ser decisivo. Não se trata só de talento individual. Existe preparo, acompanhamento, orientação e constância. Sem isso, resultado grande raramente aparece.
Outro detalhe que ajuda a medir o tamanho da notícia é o impacto para a própria cidade. Barueri já havia comemorado o ouro de Marcos no Brasileiro de Jovens, na categoria BC2, em Curitiba. Na mesma campanha, a cidade também apareceu com bom desempenho coletivo, alcançando o terceiro lugar geral entre clubes, enquanto a atleta Gabriele Gonçalves terminou em quarto lugar na categoria BC1. O cenário mostra que não se trata de um caso isolado. Há trabalho sendo feito, e Marcos virou hoje o rosto mais forte dessa fase.
O jovem atleta também falou sobre o significado pessoal da convocação. Admirador de Maciel Sousa Santos, nome conhecido da bocha paralímpica brasileira, ele já declarou que sonhava em um dia dividir espaço com seu ídolo na seleção. Esse tipo de fala ajuda a dar dimensão ao momento: para quem vê de fora, pode parecer apenas uma convocação. Para quem está dentro da modalidade, é a entrada em um ambiente de exigência máxima, onde cada detalhe pesa e cada oportunidade precisa ser confirmada em desempenho.
Mesmo com a ascensão no esporte, Marcos mantém a cabeça voltada para o futuro fora das quadras. No terceiro ano do ensino médio, ele pretende cursar Tecnologia da Informação. A escolha mostra um traço importante de maturidade. Enquanto a carreira esportiva cresce, ele também enxerga a necessidade de construir uma formação profissional sólida, de olho nas oportunidades que podem surgir nos próximos anos.
É justamente essa soma de fatores que torna a notícia tão forte. Aos 17 anos, Marcos Cezário já não aparece apenas como uma boa promessa de Barueri. Ele entra em um patamar diferente, com visibilidade nacional, responsabilidade maior e chance real de seguir crescendo entre os principais nomes da bocha paralímpica brasileira. Para a cidade, a convocação tem peso de vitrine. Para o atleta, tem peso de virada.
A partir de agora, a cobrança aumenta, o nível sobe e a margem para erro fica menor. É assim com qualquer atleta que cruza a porta da seleção principal. Só que, no caso de Marcos, existe algo evidente: ele não chegou até aqui por acaso, nem por empolgação passageira. Chegou porque os resultados vieram, porque o desempenho apareceu quando precisou aparecer e porque seu nome já vinha sendo observado com seriedade há bastante tempo.
Barueri passa a acompanhar, daqui para frente, uma história que ficou maior. O ouro em Curitiba já tinha colocado Marcos Cezário em destaque. A convocação para a seleção brasileira principal muda o tamanho dessa conquista e abre um novo capítulo para um atleta que, aos 17 anos, começa a deixar de ser aposta para virar realidade.




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