Delação de Vorcaro cita novo contrato de R$ 50 milhões com escritório da mulher de Moraes
Primeira proposta rejeitada pela Polícia Federal citava minuta ligada ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes; defesa apresentou nova versão à PF e à PGR
por Redação
03 de junho de 2026, às 22h40
A primeira proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, citava uma minuta de contrato de R$ 50 milhões envolvendo uma empresa ligada ao empresário e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A informação foi divulgada pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, e publicada também por outros veículos nesta quarta-feira, 3 de junho. Segundo os relatos, o documento teria sido elaborado em agosto de 2025, semanas antes da prisão de Vorcaro e da liquidação extrajudicial do Banco Master. A minuta previa o pagamento ao escritório Barci de Moraes, mas não chegou a ser assinada.
O episódio surgiu dentro da primeira proposta de colaboração premiada entregue por Vorcaro à Polícia Federal. Essa versão foi rejeitada pelos investigadores em maio. Na avaliação da PF, o material apresentado inicialmente não trazia elementos suficientes para avançar no acordo. Agora, a defesa do banqueiro apresentou uma nova versão à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
O ponto mais sensível da informação está na relação entre a minuta de R$ 50 milhões e um contrato anterior firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Esse primeiro acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões entre janeiro de 2024 e janeiro de 2027. Ao fim do período, o valor total poderia chegar a aproximadamente R$ 130 milhões.
Segundo a versão atribuída à proposta de delação, a nova minuta teria sido preparada porque já havia previsão de venda do Banco Master no curto prazo. Com uma eventual venda, o contrato original poderia ser encerrado antes do prazo. Nesse contexto, uma empresa ligada a Vorcaro assumiria o pagamento de parte do valor previsto, por meio de um novo documento.
A Polícia Federal já havia identificado o contrato anterior durante a análise de material apreendido em fase da Operação Compliance Zero. O acordo previa atuação do escritório junto a órgãos como Banco Central, Cade, Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Esse ponto se tornou um dos centros da controvérsia envolvendo o Banco Master e suas relações com autoridades e escritórios de advocacia.
A menção a uma nova minuta de R$ 50 milhões dá outra dimensão ao caso porque mostra que a relação financeira envolvendo o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes não se restringia ao primeiro contrato já conhecido. Mesmo sem assinatura, o documento citado na proposta de delação passou a ser tratado como mais um elemento relevante dentro das negociações conduzidas por Vorcaro com os investigadores.
O escritório Barci de Moraes nega irregularidades. Em manifestação divulgada à imprensa, afirmou que não firmou novo contrato com Daniel Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro, não prestou serviços advocatícios relacionados à minuta citada e não recebeu valores vinculados ao documento de R$ 50 milhões.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, tenta reabrir a negociação com uma nova versão da proposta de delação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os advogados participaram de reunião com investigadores na segunda-feira, 1º de junho, e entregaram um material reformulado à PF e à PGR. A nova proposta teria conteúdo mais amplo do que a primeira versão rejeitada em maio.
O caso Master envolve uma investigação de grande alcance sobre suspeitas de fraudes financeiras, operações irregulares e relações políticas construídas ao redor do banco. A Polícia Federal apura desde 2024 a emissão de títulos de crédito sem a devida cobertura, além de outras frentes ligadas à estrutura financeira do grupo.
A prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master colocaram o caso no centro de Brasília. Desde então, as apurações passaram a atingir não apenas o setor financeiro, mas também figuras com trânsito político e institucional. A possibilidade de delação premiada aumenta a tensão porque pode abrir novas frentes sobre contratos, pagamentos, articulações e contatos mantidos pelo banqueiro.
A primeira negativa da Polícia Federal não encerrou as tratativas. O próprio andamento do caso mostra que investigadores e procuradores ainda avaliam quais informações podem ser aproveitadas e quais pontos precisam de documentação adicional. A nova proposta de Vorcaro será analisada para definir se há base para um acordo formal de colaboração premiada.
A revelação da minuta de R$ 50 milhões, no entanto, cria pressão imediata sobre o caso. O documento citado na proposta rejeitada coloca novamente em evidência a relação entre o Banco Master e o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, além de levantar questionamentos sobre a finalidade dos contratos e a forma como os valores foram estruturados.
No campo político, o episódio deve alimentar novas cobranças por explicações. A discussão não se limita ao contrato em si, mas ao contexto em que ele aparece: uma delação rejeitada pela Polícia Federal, uma nova versão entregue à PF e à PGR, um banco liquidado, um banqueiro preso e uma relação financeira milionária envolvendo o entorno de um ministro do Supremo.




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