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Opinião: Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes podem empurrar Lula para a derrota em 2026

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Opinião: Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes podem empurrar Lula para a derrota em 2026

Ações de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes contra nomes da oposição reforçam desgaste da Corte e podem empurrar mais eleitores para o campo anti-Lula


Opinião, coluna, escrito por Thiago Turetti — 21 de abril de 2026, 14h

Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes entraram de vez no centro da disputa política de 2026 e, com isso, podem acabar impondo a Lula um prejuízo eleitoral cada vez maior. O motivo é simples: cada novo embate, cada nova reação do Supremo contra adversários e cada novo gesto visto como excesso reforçam no eleitorado a sensação de que o STF deixou de ser apenas tribunal e passou a agir como peça direta do jogo político. Quando essa percepção cresce, o desgaste não para no prédio da Corte. Ele respinga no presidente.

Esse processo ganhou novo fôlego depois que Gilmar Mendes pediu a Alexandre de Moraes a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news, após uma publicação do ex-governador envolvendo referências ao caso Banco Master. O episódio não esfriou a crise. Fez o contrário. Jogou mais lenha na fogueira, ampliou a exposição do tema e fortaleceu a leitura de que o Supremo resolveu dobrar a aposta justamente no momento em que a irritação contra a Corte cresce no país. O pedido foi noticiado por diferentes veículos e rapidamente empurrou o caso para o centro do noticiário político.

O problema para Lula é que essa escalada acontece num ambiente já contaminado por desconfiança popular em relação ao STF. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em março mostrou que 72% dos brasileiros avaliam que o Supremo tem poder demais. O mesmo levantamento apontou um ambiente pesado para a imagem da Corte, com avanço da percepção de excesso e de desgaste institucional. Em outro recorte repercutido na imprensa, a maioria dos entrevistados enxergou o STF como aliado do governo Lula. Em política, isso tem consequência direta: quando o tribunal sangra, o governo também pode sangrar junto.

É justamente aí que Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes passam a representar um risco real para o projeto de reeleição do petista. A insistência em confrontos que atingem nomes da oposição, lideranças da direita e figuras que exploram o desgaste do Supremo ajuda a consolidar um eixo eleitoral poderoso: o voto contra o STF. E, num país em que parte expressiva do eleitorado já associa a Corte a Lula, esse sentimento tende a escorregar para o campo anti-governo. Na prática, Moraes e Gilmar ajudam a empurrar a eleição para um terreno que favorece muito mais os adversários do Planalto do que o próprio presidente.

A essa altura, o STF já deixou de ser apenas tema jurídico ou institucional. Virou bandeira eleitoral. Pré-candidatos ao Senado e à Presidência passaram a explorar abertamente o desgaste da Corte, com propostas, ataques, discursos de confronto e promessas de enfrentamento. O debate sobre impeachment de ministros, limites do Judiciário e reação ao Supremo ganhou musculatura e entrou no radar de campanhas, partidos e articuladores. Isso mostra que a crise saiu dos bastidores e passou a ter valor direto de voto.

Nesse cenário, Lula fica encurralado. Se tenta se afastar do STF, esbarra na percepção já consolidada de proximidade entre governo e Corte. Se não se afasta, corre o risco de carregar para si um desgaste que não para de crescer. É uma armadilha política séria. Quanto mais o Supremo endurece e se mete em choques públicos de alta voltagem, mais a oposição encontra material para alimentar uma narrativa simples e popular: a de que há um sistema fechado de poder operando para proteger a si mesmo. Em eleição polarizada, esse tipo de narrativa não fica restrito ao debate de elite. Ela desce para a rua, circula nas redes, ganha força em vídeos curtos, vira conversa de bar, pauta grupos de WhatsApp e entra no voto.

O efeito disso para 2026 pode ser brutal. Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, ao levarem o STF para o centro do ringue, acabam ajudando a organizar emocionalmente o campo adversário de Lula. Eles oferecem à oposição um alvo visível, constante e facilmente explorável. E, pior para o Planalto, oferecem esse alvo justamente num momento em que o eleitor está mais desconfiado da Corte do que nos últimos anos. O que era para intimidar críticos e conter o avanço de adversários pode produzir o resultado inverso: fortalecer candidaturas que prometem confrontar o Supremo e transformar a rejeição ao tribunal em combustível eleitoral.

O ponto central é este: Lula pode pagar nas urnas por uma crise que não controla, mas da qual dificilmente conseguirá se descolar. Moraes e Gilmar, ao esticarem a corda num ambiente já inflamado, ajudam a criar um cenário em que o voto anti-STF se mistura ao voto anti-Lula. É aí que mora o perigo real. Não se trata mais apenas de embate institucional. Trata-se de impacto político direto. E, mantido esse ritmo, os ministros podem acabar se tornando dois dos fatores mais pesados para a derrota eleitoral do presidente em 2026.

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