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Carla Zambelli derrota Moraes na Itália e deixa prisão após reviravolta na extradição

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Carla Zambelli derrota Moraes na Itália e deixa prisão após reviravolta na extradição

Corte de Cassação italiana anulou decisão que autorizava o envio da ex-deputada ao Brasil, em revés para o pedido conduzido pelo STF

por Redação
23 de maio de 2026, 15h

A ex-deputada federal Carla Zambelli obteve uma vitória relevante na Justiça italiana e impôs uma derrota ao caminho traçado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para trazê-la de volta ao Brasil. A Corte de Cassação da Itália, última instância do Judiciário do país europeu, anulou a decisão que autorizava a extradição da ex-parlamentar e determinou sua saída da prisão feminina de Rebibbia, em Roma.

A decisão foi tomada na sexta-feira, 22 de maio, dois dias depois de Moraes determinar que o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores adotassem providências para efetivar a extradição de Zambelli. Na prática, a ordem do ministro brasileiro apontava para a fase final do procedimento, após decisões anteriores da Justiça italiana favoráveis ao envio da ex-deputada ao Brasil.

A virada na Corte de Cassação, porém, mudou o cenário. A instância máxima italiana aceitou o recurso da defesa, derrubou a autorização concedida pela Corte de Apelação de Roma e permitiu que Zambelli deixasse a prisão. A ex-deputada apareceu em vídeos publicados nas redes sociais ao lado do marido, o coronel Aginaldo de Oliveira, e de seu advogado italiano, Pieremilio Sammarco.

A decisão representa um revés direto para a estratégia brasileira de extradição, especialmente porque o caso estava sendo acompanhado de perto pelo STF, pela Advocacia-Geral da União e por órgãos do governo federal. O Brasil tentava fazer com que Zambelli retornasse ao país para cumprir pena após condenações no Supremo.

Carla Zambelli foi condenada no Brasil no processo sobre a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça. A acusação envolve a inserção de documentos falsos no sistema, incluindo uma ordem falsa de prisão contra o próprio Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti Netto também foi condenado no mesmo caso.

A ex-deputada também recebeu outra condenação, ligada ao episódio em que perseguiu um homem armada em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Os dois processos formaram a base dos pedidos brasileiros para que a Itália autorizasse sua extradição.

Mesmo com as condenações no Brasil, a defesa de Zambelli passou a sustentar na Itália que havia problemas no processo brasileiro, questionamentos sobre as condições prisionais no país e alegações de perseguição política. O advogado brasileiro da ex-deputada afirmou que a Corte italiana teria reconhecido falhas nas decisões anteriores e acolhido a tese de perseguição. Até a divulgação integral dos fundamentos da decisão, porém, esse ponto deve ser tratado como declaração da defesa, não como conclusão pública já conhecida em detalhes.

A situação ainda exige cuidado jurídico. A decisão da Corte de Cassação derruba uma autorização de extradição e permitiu a liberdade de Zambelli, mas o caso não necessariamente encerra todas as discussões. Há informação de que outro processo de extradição ainda será analisado em data posterior. Além disso, no sistema italiano, decisões sobre extradição também passam por avaliação política do governo, com participação do Ministério da Justiça da Itália.

Ainda assim, o resultado desta sexta-feira foi recebido por aliados da ex-deputada como uma vitória expressiva. Para seus apoiadores, a decisão enfraquece a narrativa de que a entrega ao Brasil era inevitável e fortalece o discurso de que o caso deveria ser analisado também sob o ângulo das garantias de defesa e dos limites do poder judicial.

Para Moraes e para o governo brasileiro, a decisão cria um obstáculo importante. O ministro havia determinado a adoção de medidas para efetivar a extradição justamente depois de a Corte de Apelação de Roma ter se manifestado a favor do envio da ex-deputada ao Brasil. A anulação na instância superior italiana interrompeu esse avanço e obrigou o caso a voltar para uma zona de incerteza.

Zambelli deixou o Brasil após a condenação no STF e passou a viver na Itália, país do qual também possui cidadania. Em julho de 2025, ela foi presa em Roma no contexto do pedido de extradição apresentado pelo Brasil. Desde então, sua defesa tentava reverter as decisões que poderiam levá-la de volta ao território brasileiro.

A soltura da ex-deputada não apaga as condenações impostas pelo STF, mas altera o aspecto mais imediato do caso: neste momento, ela não será enviada ao Brasil na velocidade esperada pelas autoridades brasileiras. O resultado também coloca pressão sobre os próximos passos do governo italiano e sobre os argumentos que serão apresentados pelas partes nas etapas restantes.

O caso ganhou peso político porque envolve uma das figuras mais conhecidas da direita brasileira, uma condenação determinada pelo Supremo e uma disputa internacional sobre extradição. A decisão italiana, portanto, vai além da situação pessoal de Zambelli e entra no debate sobre a atuação do STF, a relação entre Brasil e Itália e os limites de decisões judiciais quando passam a depender de validação estrangeira.

A defesa da ex-deputada deve usar a decisão como trunfo político e jurídico. Já o governo brasileiro e a AGU devem acompanhar os próximos movimentos na Itália para tentar manter viva a possibilidade de extradição, especialmente no processo ainda pendente.

Por ora, a imagem política é clara: Carla Zambelli saiu da prisão na Itália, a extradição sofreu uma derrota na última instância judicial italiana e Alexandre de Moraes viu o plano de retorno da ex-deputada ao Brasil enfrentar seu maior obstáculo desde o início do caso.

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