Mendonça pode levar ao plenário relatório da PF que cita Moraes
Documento reúne menções encontradas no celular de Daniel Vorcaro; eventual análise pelos demais ministros do STF ainda não foi confirmada oficialmente
Por redação, dia 06/08/2026 às 15:51
O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal, pode submeter ao plenário da Corte informações produzidas pela Polícia Federal que mencionam o ministro Alexandre de Moraes.
A possibilidade dependerá da avaliação de Mendonça sobre a relevância jurídica dos elementos encontrados e sobre a necessidade de uma decisão colegiada. Até o momento, não existe confirmação oficial de que o relator tenha decidido apresentar o documento aos demais ministros do Supremo.
As informações relacionadas a Moraes teriam sido localizadas durante a análise do celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e principal investigado na Operação Compliance Zero. O material apreendido contém mensagens, registros de reuniões e referências a diferentes autoridades com foro privilegiado.
A existência de menções ao nome de um ministro, entretanto, não representa automaticamente uma acusação criminal, nem comprova a prática de irregularidade. Para que haja uma investigação formal, é necessário identificar fatos com possível relevância penal, delimitar as condutas e seguir os procedimentos aplicáveis às autoridades com foro no STF.
Em fevereiro, informações publicadas pelo jornal O Globo apontaram que a Polícia Federal preparava um documento específico com as referências a Alexandre de Moraes encontradas nos materiais apreendidos com Vorcaro.
O documento teria sido classificado como uma “informação de Polícia Judiciária”. Esse tipo de relatório é utilizado para comunicar oficialmente a existência de elementos encontrados durante uma investigação, sem representar necessariamente um pedido de abertura de inquérito, afastamento ou declaração de suspeição.
Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal pretendia relatar os achados ao presidente do STF, Edson Fachin. O material seguiria um formato semelhante ao relatório produzido anteriormente com referências ao ministro Dias Toffoli.
Com a saída de Toffoli da relatoria e a redistribuição do caso, André Mendonça passou a conduzir as investigações relacionadas ao Banco Master. Como relator, ele recebe os pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, autoriza diligências e decide sobre as medidas judiciais necessárias.
Caso Toffoli pode servir como precedente
A possível apresentação do material ao plenário ganhou força por causa do episódio que envolveu Dias Toffoli.
Em fevereiro, a Polícia Federal encaminhou ao STF um relatório de aproximadamente 200 páginas com informações relacionadas ao ministro. O documento provocou uma reunião reservada entre os integrantes da Corte e abriu uma discussão sobre a continuidade de Toffoli na relatoria do caso Master.
O Supremo divulgou posteriormente uma nota conjunta afirmando que não havia situação de suspeição ou impedimento e reconhecendo a validade das decisões tomadas pelo ministro. Apesar disso, Toffoli solicitou que os processos fossem encaminhados à Presidência da Corte para redistribuição. André Mendonça foi sorteado como novo relator.
A situação demonstra que informações produzidas pela Polícia Federal envolvendo integrantes do próprio tribunal podem ser discutidas coletivamente, principalmente quando existe risco de conflito institucional ou questionamento sobre a atuação de um ministro.
Isso não significa, porém, que Mendonça seja obrigado a repetir o mesmo procedimento. O relator poderá manter o material sob sigilo, solicitar novas diligências, enviar os dados à Procuradoria-Geral da República ou levar alguma questão específica para análise do colegiado.
Mensagens de Vorcaro citam integrantes do Supremo
As menções a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli encontradas no celular de Daniel Vorcaro passaram a ocupar o centro da crise institucional provocada pelo caso Master.
Reportagens publicadas desde o início das investigações apontaram contatos e relações do empresário com integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. No caso de Moraes, também ganhou repercussão um contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
A existência do contrato ou de mensagens envolvendo o nome do ministro não comprova, isoladamente, participação em crimes. Eventual responsabilização dependerá da identificação de uma conduta irregular praticada pelo próprio magistrado e de elementos que demonstrem relação direta com os fatos investigados.
Moraes já negou ter atuado para favorecer o Banco Master. Os esclarecimentos apresentados sustentam que contatos mantidos com autoridades e representantes do sistema financeiro não tiveram como objetivo interferir nas investigações ou beneficiar Daniel Vorcaro.
Autoridades ouvidas pela imprensa avaliam que o caso poderá criar um impasse para o STF e para a Procuradoria-Geral da República caso surjam provas concretas contra integrantes da Corte. Pessoas próximas a Mendonça afirmaram que o ministro pretende evitar prejulgamentos, mas deverá dar continuidade às apurações se forem encontrados elementos objetivos.
Desde que assumiu a relatoria, André Mendonça ampliou o contato com os delegados responsáveis pela Operação Compliance Zero.
O ministro realizou reuniões com diretores e investigadores da Polícia Federal para acompanhar o andamento do inquérito, conhecer as provas já obtidas e estabelecer prioridades para as próximas etapas. Uma dessas reuniões foi apresentada como o segundo encontro entre o relator e os responsáveis diretos pelas investigações.
Mendonça também determinou a entrega de informações e materiais apreendidos durante as operações. A postura do ministro provocou críticas internas de integrantes do STF e questionamentos sobre os limites da atuação de um relator na condução de uma investigação policial.
Reportagem publicada pelo UOL informou que Mendonça passou a cobrar dos investigadores esforços voltados para temas considerados prioritários por ele. O ministro também teria solicitado acesso a dados brutos apreendidos nas operações, antes mesmo da conclusão de determinadas análises e relatórios da Polícia Federal.
Esse acompanhamento direto aumenta a possibilidade de que o gabinete do relator tenha acesso aos documentos que mencionam autoridades, incluindo ministros do Supremo. Não há, contudo, confirmação pública sobre o conteúdo integral do relatório relacionado a Moraes ou sobre uma eventual decisão de levá-lo ao plenário.
Caso as informações apresentem indícios de crime envolvendo Alexandre de Moraes, a Procuradoria-Geral da República deverá ser acionada.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, é responsável por avaliar se os fatos justificam a abertura de investigação contra um ministro do Supremo. A Polícia Federal não pode ampliar livremente uma apuração contra uma autoridade com foro privilegiado sem a supervisão judicial e a participação dos órgãos competentes.
A PGR poderá entender que as informações não apresentam relevância criminal, solicitar novas diligências ou pedir a abertura de uma investigação específica.
O plenário do STF também poderá ser chamado a decidir sobre questões institucionais ou processuais. Uma eventual apresentação do relatório aos ministros, porém, não significaria julgamento ou condenação de Moraes. O colegiado poderia analisar apenas o encaminhamento jurídico do material e definir qual procedimento deve ser adotado.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção, obstrução de investigações e atuação de organização criminosa relacionada ao Banco Master.
As investigações já resultaram em diferentes fases, prisões, buscas e apreensões, bloqueios de patrimônio e análise de um grande volume de dados eletrônicos. Daniel Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como uma das figuras centrais do esquema investigado.
O caso também revelou a extensa rede de contatos mantida pelo empresário com autoridades, dirigentes de instituições financeiras, parlamentares, advogados e integrantes do Judiciário.
Nos próximos meses, a conclusão dos relatórios da Polícia Federal poderá determinar se as menções encontradas nos aparelhos possuem apenas natureza pessoal ou institucional ou se apresentam alguma relação com os crimes investigados.
Até que os documentos sejam oficialmente apresentados e analisados, não é possível afirmar que Alexandre de Moraes seja investigado ou acusado no caso Master. Também não está confirmado que André Mendonça levará o relatório ao plenário do Supremo.
A eventual apresentação dependerá do conteúdo das informações, da manifestação da Procuradoria-Geral da República e da avaliação do relator sobre a necessidade de uma decisão conjunta dos ministros.




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