Primavera começa com alerta para dengue em Barueri e região
Chegada do calor, chuvas recentes e efeitos do El Niño aumentam a preocupação com criadouros do Aedes aegypti em Barueri e cidades vizinhas
Por Redação
22 de setembro de 2026 às 05h00
A primavera começa oficialmente às 21h05 desta terça-feira (22) no Hemisfério Sul e chega acompanhada de um alerta importante para os moradores de Barueri e das demais cidades da região Oeste: o aumento gradual das temperaturas, combinado com as chuvas recentes e os efeitos do fenômeno El Niño, pode favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.
A Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria de Saúde, já reforçou as ações de prevenção diante da chegada do período mais quente do ano. A orientação é para que os moradores redobrem a atenção dentro de casa, nos quintais, comércios, escolas, condomínios e terrenos, eliminando qualquer objeto capaz de acumular água.
A mudança de estação merece atenção porque a primavera marca a transição para um período de temperaturas mais elevadas e de aumento gradual das chuvas no Sudeste. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a nova estação começa nesta terça-feira e segue até o dia 21 de dezembro. A tendência é de alteração progressiva no regime de precipitações, especialmente a partir de outubro.
Em setembro, a Grande São Paulo já enfrentou episódios de chuva intensa, alagamentos e enxurradas. Quando a água permanece acumulada após os temporais e as temperaturas voltam a subir, surgem condições favoráveis para o desenvolvimento das larvas do mosquito. O problema pode aparecer em recipientes pequenos e aparentemente inofensivos, inclusive dentro das residências.
O El Niño amplia a preocupação porque costuma provocar temperaturas mais altas, irregularidade nas chuvas e maior possibilidade de eventos extremos em São Paulo. Isso não significa que haverá necessariamente uma epidemia em Barueri, mas o cenário climático exige prevenção antecipada. O Ministério da Saúde informa que a dengue apresenta um padrão sazonal, com elevação do número de casos e do risco de epidemias principalmente entre outubro e maio.
Durante visitas a residências, estabelecimentos comerciais e escolas, os Agentes de Combate às Endemias de Barueri ainda encontram recipientes com água parada e larvas. Garrafas, pneus, vasos de plantas, calhas, caixas-d’água, tonéis, baldes, ralos e materiais abandonados estão entre os pontos que precisam ser verificados com frequência.
A orientação é colocar areia nos pratos dos vasos, manter caixas-d’água e outros reservatórios completamente fechados, limpar calhas e ralos, guardar garrafas viradas para baixo e retirar objetos sem utilização dos quintais. Bebedouros de animais também devem ser lavados regularmente, com atenção às bordas, onde os ovos do mosquito podem permanecer aderidos.
O cuidado deve ser mantido mesmo quando a água acumulada não parece limpa. O Aedes aegypti pode encontrar condições para se desenvolver em diferentes recipientes com água parada. Por isso, o mais seguro é eliminar qualquer possível reservatório, independentemente de sua aparência ou tamanho.
O descarte correto de lixo, entulho e sucata também é uma medida importante. Materiais deixados em calçadas, terrenos e vias públicas podem acumular água depois das chuvas e transformar-se em criadouros. Em condomínios, a inspeção deve incluir áreas comuns, jardins, lajes, calhas, garagens, casas de máquinas e espaços pouco utilizados.
A Prefeitura de Barueri mantém ações de vigilância, controle e limpeza urbana, mas destaca que a participação dos moradores é indispensável. Os agentes de saúde e de combate às endemias percorrem diferentes regiões da cidade para orientar a população e identificar possíveis focos. Receber os profissionais devidamente identificados e seguir as recomendações ajuda a ampliar a proteção de toda a vizinhança.
O alerta também vale para moradores de Itapevi, Jandira, Carapicuíba, Osasco e outras cidades próximas. O mosquito não respeita limites municipais e pode se reproduzir em qualquer local onde encontre água parada. Um único imóvel com vários focos pode colocar em risco as pessoas que vivem ou trabalham nas proximidades.
Mesmo com a redução dos casos em comparação aos anos anteriores, São Paulo ainda exige atenção. Dados estaduais atualizados até o início de setembro indicavam 58.271 casos confirmados e 41 mortes por dengue em 2026, com 81 municípios classificados em situação de epidemia. O cenário era melhor do que o registrado em 2024 e 2025, mas autoridades e especialistas alertam que a combinação de chuva e calor pode voltar a elevar a circulação do mosquito.
Além da prevenção nos imóveis, a população deve ficar atenta aos sintomas. Febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações, fraqueza, enjoo e manchas vermelhas pelo corpo estão entre os sinais mais comuns. Dor abdominal intensa, vômitos frequentes, tontura, dificuldade para respirar e sangramentos são sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
Quem apresentar sintomas deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou outro serviço médico e evitar a automedicação. A dengue pode evoluir para formas graves, e a avaliação de um profissional é importante para definir os cuidados necessários. A hidratação também tem papel essencial durante o acompanhamento do paciente, conforme orientação da equipe de saúde.
A chegada da primavera representa o momento ideal para intensificar a prevenção, antes do período de maior circulação da doença. Uma vistoria frequente nos imóveis pode interromper o ciclo de reprodução do mosquito e impedir que pequenos recipientes se transformem em focos.
Com as temperaturas em elevação e a possibilidade de novas chuvas, a recomendação é não esperar pelo aparecimento de casos no bairro. Eliminar água parada, manter reservatórios fechados, permitir a entrada dos agentes identificados e procurar atendimento diante de sintomas são medidas simples que podem evitar o avanço da dengue em Barueri e em toda a região Oeste.




Publicar comentário