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Lula é reeleito em segundo turno marcado por polêmicas e decisão de Zanin

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Lula é reeleito em segundo turno marcado por polêmicas e decisão de Zanin

Presidente supera Flávio Bolsonaro após virada histórica; decisão do STF para prorrogar a votação gera controvérsia após fechamento de urnas

Por redação, dia 25 de outubro de 2026 às 22:43

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República, após derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com 99,9% das urnas apuradas, o petista conquistou 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do adversário.

A vitória representou uma virada inédita nas eleições presidenciais brasileiras. Lula havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, mas conseguiu reverter a diferença na etapa decisiva da disputa.

O resultado, entretanto, ocorreu em meio a uma série de controvérsias envolvendo a Justiça Eleitoral, especialmente após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação do horário de votação em todo o país.

A medida provocou questionamentos sobre a igualdade de condições entre os eleitores, uma vez que milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a determinação judicial começou a ser comunicada aos tribunais regionais.

Uma das principais polêmicas do segundo turno começou no fim da tarde, quando o ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário de votação das 17h para as 19h, no horário de Brasília.

A decisão foi tomada após uma ação apresentada pela campanha de Lula, que relatou problemas no transporte público em diferentes municípios brasileiros. Segundo os argumentos apresentados, as dificuldades de deslocamento poderiam impedir parte da população de exercer o direito ao voto.

Zanin considerou graves as informações encaminhadas ao Supremo e determinou que a Justiça Eleitoral estendesse o funcionamento das seções por até duas horas.

O problema surgiu no momento da execução da ordem. Quando a decisão foi divulgada, diversas seções eleitorais já haviam encerrado suas atividades, impossibilitando a continuidade da votação nesses locais.

Posteriormente, após esclarecimentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Zanin ajustou a determinação para que a prorrogação fosse aplicada exclusivamente às seções que ainda permaneciam abertas.

Com isso, parte dos eleitores teve a possibilidade de votar até as 19h, enquanto em outras localidades o atendimento havia terminado definitivamente às 17h.

A situação ganhou repercussão especialmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil.

Em comunicado oficial, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que tomou conhecimento da decisão inicialmente por meio da imprensa, por volta das 17h.

Às 17h16, o tribunal confirmou a determinação junto ao TSE. Dois minutos depois, encaminhou a orientação aos 393 juízes eleitorais do estado.

Naquele momento, aproximadamente 80% das seções eleitorais paulistas já haviam encerrado suas atividades. Como as urnas não poderiam ser reabertas, a prorrogação ficou restrita aos locais que ainda estavam funcionando.

A comunicação oficial do TSE por e-mail chegou ao TRE-SP somente às 18h16, mais de uma hora depois do encerramento originalmente previsto para a votação.

O episódio levantou questionamentos sobre o momento da decisão judicial e a capacidade operacional da Justiça Eleitoral de aplicá-la de maneira uniforme em todo o território nacional.

O TRE-SP esclareceu que os votos registrados nas seções já encerradas seriam integralmente contabilizados, sem prejuízo à totalização.

A decisão também interferiu no andamento da apuração presidencial.

O TSE chegou a iniciar a divulgação dos resultados após as 17h, mas interrompeu temporariamente a totalização em razão da determinação do Supremo.

A divulgação dos números foi retomada após o encerramento do período adicional de votação.

A suspensão ampliou a repercussão do episódio nas redes sociais, onde a decisão de Zanin passou a ser alvo de críticas e questionamentos.

A principal controvérsia envolveu a diferença de tratamento entre seções já encerradas e aquelas que puderam continuar recebendo eleitores.

Apesar das críticas, não existem dados públicos suficientes para concluir que a prorrogação tenha alterado o resultado da eleição ou sido determinante para a vitória de Lula.

Além das polêmicas judiciais, a eleição apresentou uma mudança significativa em relação ao primeiro turno.

Na votação de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia conquistado 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula terminou com 45,16%.

No segundo turno, o presidente conseguiu ampliar seu desempenho e ultrapassar o adversário, garantindo a permanência do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo federal.

A vitória também ocorreu em um cenário de forte divisão do eleitorado. Em São Paulo, por exemplo, Flávio Bolsonaro venceu com 53,85% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou a maioria na capital paulista, com 55,5%.

O contraste demonstra a diferença de comportamento eleitoral entre as regiões e a importância da distribuição nacional dos votos para a definição do resultado.

Com a reeleição, Lula deverá iniciar um novo mandato em janeiro de 2027, tendo Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice-presidente.

A vitória encerra uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente do Brasil, mas as controvérsias registradas durante o segundo turno devem continuar repercutindo no cenário político.

Entre os principais pontos de discussão estão o momento em que Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário de votação, a comunicação tardia aos tribunais regionais e a impossibilidade de reabrir seções que já haviam encerrado os trabalhos.

Embora essas circunstâncias tenham provocado críticas à condução do processo eleitoral, a existência de problemas operacionais não comprova irregularidade na contagem dos votos ou interferência no resultado.

A eleição termina, portanto, com a confirmação da vitória de Lula e um debate institucional sobre os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral em situações excepcionais.

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