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Barueri está entre as cidades mais seguras do Brasil, mas ranking revela diferenças na região

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Barueri está entre as cidades mais seguras do Brasil, mas ranking revela diferenças na região

Município reduziu taxa de mortes violentas e ocupa a 7ª posição entre cidades de porte semelhante; Jandira e Santana de Parnaíba também aparecem no levantamento nacional

Por redação, dia 23/10/2026 às 23:51

BARUERI — A cidade de Barueri voltou a figurar entre os municípios mais seguros do Brasil, segundo o Anuário 2026 – Cidades Mais Seguras do Brasil, divulgado na terça-feira (20) pela MySide, empresa especializada em tecnologia e serviços no mercado imobiliário. O município ocupa a 7ª posição entre as cidades brasileiras com população de 200 mil a 500 mil habitantes, após registrar uma taxa de 5,83 mortes violentas por 100 mil moradores.

O resultado representa uma melhora no indicador de violência letal em comparação com a edição anterior do estudo, quando Barueri registrava aproximadamente 6,4 mortes por 100 mil habitantes. A redução foi de cerca de 9%, embora a cidade tenha permanecido na 23ª colocação do ranking geral, que considera municípios brasileiros com pelo menos 100 mil habitantes.

Os números mostram uma evolução importante, mas também exigem atenção à metodologia. Embora o levantamento utilize a expressão “cidades mais seguras”, sua classificação está fundamentada essencialmente na mortalidade violenta. Isso significa que a posição alcançada não representa, necessariamente, o mesmo desempenho em outros indicadores de criminalidade, como furtos, roubos, violência doméstica ou crimes patrimoniais.

Um dos aspectos que merecem atenção está na comparação com a edição anterior do anuário. Em 2025, Barueri ocupava a 5ª posição entre os municípios de 200 mil a 500 mil habitantes. No levantamento de 2026, passou para a 7ª colocação, apesar da redução de sua taxa de mortes violentas.

A diferença evidencia uma característica dos rankings comparativos: a evolução de uma cidade não garante a manutenção de sua posição, uma vez que os demais municípios também podem apresentar melhorias.

Na classificação de 2026, Blumenau (SC) aparece em primeiro lugar entre as cidades desse porte, com taxa de 2,37 mortes violentas por 100 mil habitantes. Em seguida estão Jaraguá do Sul (SC), com 2,50, e Pelotas (RS), com 2,76.

Entre os municípios paulistas da mesma faixa populacional, Franca, Americana e Indaiatuba apresentam indicadores inferiores ao de Barueri.

A comparação regional acrescenta outra perspectiva aos resultados do anuário.

Jandira alcançou a 10ª posição no ranking geral de 2026, com taxa de 3,85 mortes violentas por 100 mil habitantes. No levantamento anterior, estava em 17º lugar, o que representa um avanço de sete posições.

Santana de Parnaíba aparece na 13ª colocação nacional, com índice de 4,33 mortes por 100 mil habitantes. Apesar de permanecer entre as 30 cidades de menor taxa de mortalidade violenta, o município recuou em relação ao levantamento anterior, quando ocupava o 4º lugar.

Barueri, por sua vez, manteve a 23ª posição geral, com taxa de 5,83.

Assim, no recorte da mortalidade violenta, Jandira e Santana de Parnaíba apresentam indicadores inferiores ao de Barueri. Essa comparação, entretanto, não significa que as cidades tenham necessariamente melhores resultados em todas as modalidades criminais.

Também é importante observar que as três cidades possuem populações diferentes. A utilização de taxas por 100 mil habitantes permite uma comparação proporcional, mas não elimina as particularidades sociais, territoriais e demográficas de cada município.

O Anuário 2026 foi elaborado a partir de informações do Painel de Monitoramento de Mortalidade, vinculado ao Ministério da Saúde, e de dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento considera registros de 2025 e utiliza a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para identificar as causas de morte analisadas.

A metodologia permite comparar o nível de violência letal entre municípios, mas não equivale a uma avaliação completa da segurança pública.

Uma cidade pode apresentar um número relativamente baixo de homicídios e, simultaneamente, enfrentar problemas de furtos, roubos de celulares, golpes, violência doméstica ou outras ocorrências que interferem diretamente na rotina dos moradores.

Da mesma forma, o indicador não revela como a criminalidade está distribuída internamente. Bairros de um mesmo município podem apresentar realidades bastante diferentes, mesmo quando a taxa geral é considerada favorável.

Por esse motivo, uma análise mais abrangente exigiria a avaliação conjunta de estatísticas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, registros por modalidade criminal e informações sobre a distribuição territorial das ocorrências.

Além do desempenho no anuário, dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, divulgados pela Prefeitura de Barueri em fevereiro deste ano, apontam uma redução dos roubos registrados no município em 2025.

Foram contabilizadas 669 ocorrências, número 17% inferior ao de 2024. Segundo a administração municipal, o resultado representa o menor volume anual desde o início da série histórica, em 2001.

No mesmo balanço, a prefeitura informou queda de 41% nos roubos de carga e de 5% nos roubos de veículos. Também destacou a ausência de registros de latrocínio desde março de 2020.

Esses indicadores complementam o levantamento de mortes violentas, embora tenham metodologias e fontes distintas. Para uma avaliação completa da evolução da criminalidade, seria necessário examinar os registros absolutos, as taxas proporcionais à população e a distribuição dos delitos ao longo dos anos.

Segurança pública vai além de uma posição no ranking

O resultado de Barueri no Anuário 2026 demonstra uma redução mensurável na taxa de mortes violentas, indicador relevante para avaliar a gravidade da criminalidade em uma cidade.

Entretanto, transformar essa posição em um diagnóstico definitivo sobre segurança pública seria uma simplificação.

O levantamento não permite concluir, isoladamente, que todos os bairros se tornaram mais seguros, que houve redução de todas as modalidades de crime ou que determinada política pública tenha sido responsável pelo desempenho observado.

Também não mede diretamente a sensação de segurança da população, aspecto que depende de fatores como iluminação pública, policiamento, ocupação dos espaços urbanos e experiências individuais com a criminalidade.

Para Barueri, o desafio não está apenas em preservar ou melhorar sua colocação nacional, mas em assegurar que a redução da violência letal seja acompanhada por avanços consistentes em outros indicadores.

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