Menina sequestrada em Barueri é salva após piscar pedindo socorro
Criança de 10 anos ficou 18 dias longe da mãe e foi resgatada pela Polícia Militar em Praia Grande; policial percebeu pedido silencioso de ajuda e recebeu homenagem
Por Redação | 19 de outubro de 2026, às 23h12
Uma menina de apenas 10 anos, sequestrada pelo próprio pai em Barueri, na Grande São Paulo, conseguiu escapar de uma situação de violência e cárcere privado graças a um gesto silencioso de socorro. Após passar 18 dias afastada da mãe, a criança foi resgatada pela Polícia Militar em Praia Grande, no litoral paulista, depois de piscar repetidamente os olhos para um policial que percebeu que algo estava errado. O caso ganhou nova repercussão nos últimos dias, após um emocionante reencontro entre a menina e os agentes responsáveis pelo salvamento.
O resgate aconteceu na madrugada de 7 de outubro, quando policiais militares realizavam patrulhamento pelo bairro Guilhermina, em Praia Grande. Durante o deslocamento, a equipe avistou um homem de 37 anos caminhando de mãos dadas com uma criança sob forte chuva. As condições das roupas da menina e seu comportamento chamaram a atenção dos agentes.
Segundo a Polícia Militar, o cabo Willians Alves Dias, integrante do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior, percebeu que a criança demonstrava medo ao estabelecer contato visual com ele. A menina piscou os olhos insistentemente, despertando a suspeita de que precisava de ajuda. Diante da situação, o policial solicitou ao colega que retornasse para verificar o que estava acontecendo.
Durante a abordagem, o homem tentou justificar a presença da criança apresentando uma versão que não correspondia às informações fornecidas pela própria menina. O policial também procurou estabelecer uma comunicação discreta com ela, pedindo que piscasse caso estivesse em perigo. O gesto confirmou a suspeita de que havia algo grave naquela situação.
Ao perceber que os policiais haviam identificado as contradições, o suspeito tentou fugir. Ele foi perseguido e detido na Avenida Castelo Branco. Durante a consulta aos sistemas policiais, os agentes descobriram que existia um mandado de prisão em aberto contra ele, relacionado ao desaparecimento da própria filha.
As investigações apontaram que o sequestro havia começado em 20 de setembro, em Barueri. Na ocasião, o homem abordou a ex-companheira e a filha enquanto caminhavam pela cidade. Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, ele ameaçou a mulher com uma arma de fogo e obrigou as duas a acompanhá-lo até um hotel localizado no bairro Parque dos Camargos.
No estabelecimento, a mulher teria sido dopada e agredida pelo ex-companheiro. Em seguida, o suspeito fugiu levando a menina e uma bolsa com pertences pessoais da mãe, incluindo um telefone celular. A vítima recebeu atendimento médico, e a ocorrência foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri como violência doméstica, lesão corporal, roubo, sequestro e cárcere privado.
Durante os 18 dias em que permaneceu desaparecida, a menina enfrentou condições extremamente difíceis. De acordo com relatos da mãe à imprensa, a criança passou períodos sem se alimentar adequadamente e chegou a dormir nas ruas enquanto estava sob o controle do pai.
Após o resgate em Praia Grande, os policiais conseguiram entrar em contato com a família utilizando o celular que estava com a criança. Ela foi encaminhada para atendimento médico, pois apresentava sinais de fraqueza. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a ocorrência e garantir os procedimentos necessários para o reencontro com a mãe.
A prisão foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher de Praia Grande. O homem permanece sob investigação pelos crimes relacionados ao sequestro e à violência praticada contra a ex-companheira.
A história teve um novo capítulo na sexta-feira, 16 de outubro, quando a menina reencontrou os policiais responsáveis pelo resgate durante uma cerimônia realizada na sede do Comando da Polícia Militar, na capital paulista.
O encontro foi marcado por emoção. Acompanhada da mãe, a criança entregou ao cabo Alves uma carta de agradecimento e uma cesta de presentes preparada especialmente para ele. Durante a homenagem, os dois policiais que participaram da ocorrência receberam medalhas e certificados de reconhecimento pela atuação.
Na carta, a menina relatou que havia tentado chamar a atenção de outras pessoas durante o período em que esteve sequestrada, mas não havia conseguido ajuda. Ela agradeceu ao militar por ter percebido o medo em seus olhos e compreendido seu pedido silencioso de socorro.
Em entrevista à imprensa, o cabo Alves demonstrou emoção ao comentar a mensagem recebida. O policial afirmou que o episódio e a gratidão da criança permanecerão entre as lembranças mais marcantes de sua carreira.
O caso também evidencia a importância da atenção dos profissionais de segurança pública diante de comportamentos que possam indicar situações de violência, especialmente quando envolvem crianças. Neste episódio, um breve contato visual foi determinante para que uma equipe policial identificasse uma situação de risco e interrompesse um sequestro que já durava mais de duas semanas.
Além da atuação dos policiais, a coragem da menina foi fundamental para o desfecho da ocorrência. Mesmo diante do medo e da presença do próprio sequestrador, ela encontrou uma maneira discreta de comunicar que precisava de ajuda.
O episódio, iniciado em Barueri e encerrado com o resgate no litoral paulista, terminou com o reencontro entre mãe e filha e a prisão do suspeito. A criança, que permaneceu desaparecida por 18 dias, agora recebe os cuidados necessários após o período de violência.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo telefone 180, enquanto violações de direitos de crianças e adolescentes podem ser comunicadas ao Disque 100. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo número 190.




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