Barueri recebe cerca de 53 salamandras da espécie axolote por ordem judicial
Espécie nativa do México chegou ao centro por determinação judicial; após avaliação, os animais foram encaminhados a um empreendimento autorizado para seu manejo
Por Redação — 23 de setembro de 2026, 22h48
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Barueri recebeu, pela primeira vez, cerca de 53 axolotes. Conhecidos pelas brânquias que ficam aparentes nas laterais da cabeça, esses animais são salamandras nativas do México. A chegada ao município ocorreu por determinação judicial, segundo informações divulgadas pela Prefeitura nesta quarta-feira (23).
Do grupo recebido, 46 axolotes eram adultos e aproximadamente sete ainda estavam em estágio larval. Após passarem pelo Cetas, eles foram encaminhados a um empreendimento de fauna registrado junto ao órgão ambiental estadual e autorizado a cuidar de animais silvestres. A Prefeitura não informou, na publicação, de onde vieram os axolotes nem os detalhes do processo judicial que determinou sua entrega.
De acordo com a gestora do Cetas, a médica-veterinária Larissa Rezende Paulino, os animais estavam saudáveis. Em um deles, a equipe observou uma possível deformação congênita. A ocorrência chama atenção pelo número de indivíduos recebidos de uma só vez e pelo fato de o centro municipal ainda não ter atendido essa espécie.
O axolote passa toda a vida na água e conserva características que, em outros anfíbios, costumam aparecer apenas na fase inicial do desenvolvimento. Entre elas estão as brânquias externas, que lhe dão uma aparência facilmente reconhecível. A espécie também desperta interesse de pesquisadores por sua capacidade de regenerar partes do corpo. Embora tenha se tornado conhecida em imagens e vídeos na internet, o animal exige cuidados próprios de sua espécie e uma origem comprovadamente regular.
Há uma diferença entre encontrar axolotes mantidos sob cuidados humanos e garantir a sobrevivência da espécie em seu ambiente natural. No México, pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México apontam que a população em vida livre enfrenta problemas como a poluição e o aquecimento da água, a pressão das atividades humanas e a presença de espécies introduzidas nos canais onde esses animais vivem. Por isso, o interesse público pelo axolote também pode abrir espaço para uma conversa sobre preservação de habitats.
Em Barueri, o caso levou a Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente a reforçar um cuidado mais próximo da rotina de quem pensa em adquirir um animal diferente: verificar sua procedência antes da compra. A orientação do Cetas é confirmar se o vendedor possui registro nos órgãos ambientais e exigir a documentação correspondente. A recomendação busca evitar que a procura por animais exóticos alimente um comércio sem controle sobre a origem e as condições em que eles são mantidos.
O Ibama também orienta o comprador a verificar se o fornecedor tem autorização do órgão ambiental e a solicitar os documentos que comprovem a origem legal do animal. Essa checagem deve acontecer antes da aquisição. Uma oferta em rede social ou a aparência saudável de um animal, por si só, não esclarecem de onde ele veio nem se a venda é regular. gov.br
O trabalho do Cetas vai além deste atendimento incomum. Mantido pela Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Barueri, o centro recebe animais que precisam de avaliação e cuidados, inclusive vítimas de maus-tratos, de comércio irregular ou encontrados feridos em áreas urbanas. Cada caso exige uma destinação adequada às condições do animal e às autorizações necessárias. No caso dos axolotes, a Prefeitura informou que o grupo já foi encaminhado a uma instalação habilitada para seu manejo.
A Prefeitura disponibiliza o telefone (11) 4199-1400 da Guarda Ambiental para denúncias de maus-tratos a animais silvestres e outras possíveis infrações ambientais. O Cetas de Barueri também consta na lista municipal de contatos pelos números (11) 3164-1040 e (11) 4689-0314, este último por WhatsApp. Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, o morador pode buscar orientação especializada antes de tentar recolhê-lo ou transportá-lo por conta própria.




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