Após dois descarrilamentos, ViaMobilidade pode ser multada em até R$ 4 milhões
Falhas na Linha 8-Diamante ocorreram em menos de 24 horas; Artesp cobra explicações e episódios serão incluídos em investigação do Ministério Público
Por Redação
18/08/2026 às 23:05
A ViaMobilidade, responsável pela operação da Linha 8-Diamante, pode receber multa de até R$ 4 milhões após dois descarrilamentos registrados em menos de 24 horas na última semana. Os episódios voltaram a colocar a operação da linha no centro das atenções e atingem diretamente uma das principais ligações ferroviárias da Região Oeste da Grande São Paulo.
O caso de maior impacto ocorreu na sexta-feira (14), por volta das 17h15, nas proximidades da Estação Osasco. Um trem com passageiros saiu parcialmente dos trilhos e os usuários precisaram deixar a composição e caminhar pela área ferroviária, acompanhados por agentes, até a Estação Comandante Sampaio. Apesar do susto e dos transtornos, não houve registro de feridos.
A ocorrência aconteceu justamente no fim da tarde, período de grande movimentação no sistema. Após o descarrilamento, a Linha 8 passou a operar com intervalos maiores enquanto equipes atuavam para liberar o trecho. O Corpo de Bombeiros chegou a deslocar quatro viaturas para o local.
O episódio em Osasco foi o segundo em dois dias consecutivos. Na quinta-feira (13), por volta das 17h30, outro trem da Linha 8-Diamante descarrilou nas proximidades da Estação Júlio Prestes, na capital. Naquele caso, a composição estava fora de operação, circulava em baixa velocidade e não transportava passageiros. A estação precisou ser temporariamente fechada e foi reaberta às 4h40 da manhã seguinte, depois da remoção do trem.
Diante da sequência de ocorrências, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) solicitou com urgência um relatório técnico à concessionária. O documento deverá apresentar as causas dos incidentes e as providências adotadas para prevenção e segurança. Depois da análise, a agência poderá instaurar processo sancionatório. As penalidades previstas podem variar de R$ 40 mil a R$ 4 milhões.
A ViaMobilidade informou que trata os dois casos como prioridade e que as causas continuam sob apuração técnica. A concessionária também comunicou ter realizado inspeções e correções preventivas nos trechos envolvidos e destacou que nenhum dos dois episódios deixou feridos.
Os descarrilamentos também devem passar a integrar um inquérito civil público do Ministério Público de São Paulo que já apura problemas relacionados à operação das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Entre os pontos investigados estão atrasos, intervalos prolongados entre composições, falhas de energia e sinalização, superlotação e questões relacionadas à manutenção da infraestrutura ferroviária.
Não é a primeira vez que a operação das linhas concedidas à ViaMobilidade chega ao Ministério Público. Uma investigação anterior, conduzida entre 2021 e 2023, terminou em um Termo de Ajustamento de Conduta que estabeleceu indenização de R$ 150 milhões e a antecipação de R$ 636 milhões em investimentos previstos no contrato de concessão. Segundo o promotor responsável pelo acompanhamento do acordo, as obrigações vêm sendo cumpridas.
Para a Região Oeste, o novo episódio ganha dimensão especial. A Linha 8 é um dos principais eixos de deslocamento entre a capital e municípios como Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira e Itapevi. Qualquer interrupção em um trecho importante da ferrovia pode provocar reflexos em cadeia na rotina de trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem do transporte diariamente.
Agora, além da apuração sobre as causas dos dois descarrilamentos, a análise da Artesp deverá determinar se houve descumprimento das obrigações previstas na concessão e se haverá aplicação de penalidades. Enquanto o processo técnico avança, os episódios dos dias 13 e 14 de agosto voltam a colocar a confiabilidade e a segurança da Linha 8-Diamante no debate sobre a mobilidade da Região Oeste.

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