Datafolha indica pressão por recuo de Flávio na corrida presidencial
Datafolha mostra divisão entre eleitores sobre candidatura do senador e aponta que quase metade defende recuo após divulgação de conversas com banqueiro
por Redação
24 de maio de 2026, 14h12
A divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a pesar no debate sobre a sucessão presidencial de 2026. Levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira (22) mostra que 48% dos eleitores defendem que Flávio abra mão da candidatura à Presidência da República e apoie outro nome. Outros 44% dizem que ele deveria seguir na disputa, enquanto 8% não souberam responder.
O resultado indica um cenário de pressão política sobre o senador em um momento sensível para a direita. Flávio Bolsonaro vinha sendo tratado como um dos nomes do PL para herdar parte do capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas a repercussão do caso envolvendo Vorcaro passou a alimentar dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
A pesquisa foi feita entre os dias 20 e 22 de maio, após a divulgação de mensagens e áudios atribuídos a conversas entre Flávio e Vorcaro. Segundo o material revelado pelo The Intercept Brasil, o senador teria pedido apoio financeiro ao banqueiro para a produção de um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Flávio confirmou a existência das conversas, mas negou ter oferecido ou recebido qualquer vantagem. Ele afirmou que buscava patrocínio privado para um projeto privado sobre a história do pai.
O levantamento mostra que o impacto do episódio não ocorre de forma uniforme. Entre os eleitores que já apoiam Flávio Bolsonaro, a resistência é bem menor. Nesse grupo, 88% defendem que ele mantenha a candidatura, enquanto 10% dizem que deveria abrir mão e apoiar outro candidato. Outros 2% não souberam responder.
Esse dado mostra que o senador mantém força dentro de sua base mais próxima, mas enfrenta dificuldade maior no eleitorado geral. Para uma candidatura presidencial competitiva, a sustentação apenas entre apoiadores fiéis pode não ser suficiente, especialmente em um cenário de segundo turno apertado e alta rejeição entre grupos fora do campo bolsonarista.
A pesquisa também mediu a percepção dos entrevistados sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Para 72%, os dois têm relação próxima. Outros 15% afirmam que não existe proximidade, e 13% não souberam responder. Esse ponto é relevante porque o caso envolve não apenas uma conversa privada, mas a interpretação pública sobre a proximidade entre um senador cotado para disputar a Presidência e um banqueiro de grande exposição no mercado financeiro.
Outro dado que pesa contra Flávio é a avaliação sobre sua conduta no episódio. Após ouvirem o contexto do caso, 64% dos entrevistados disseram que o senador agiu mal ao pedir dinheiro a Vorcaro. Já 25% avaliaram que ele agiu bem, enquanto 11% não souberam responder. Esse recorte ajuda a explicar por que parte do eleitorado passou a defender que ele deixe a disputa, mesmo antes de uma definição formal sobre candidaturas.
Ainda assim, o levantamento não mostra um colapso automático da candidatura. Entre os entrevistados que afirmaram cogitar votar em Flávio antes da divulgação das conversas, 67% disseram que a confiança no senador não mudou. Outros 18% afirmaram que a confiança diminuiu, enquanto 14% disseram que aumentou. O dado sugere que o caso produziu desgaste, mas não rompeu de maneira decisiva a ligação entre Flávio e parte de seu eleitorado potencial.
O problema político para o senador está no tamanho da margem fora da base fiel. Segundo o Datafolha, 62% dos entrevistados afirmaram que não pensavam em votar em Flávio Bolsonaro antes das conversas. Outros 38% disseram que cogitavam votar nele. Para um candidato presidencial, esse ponto é central: uma campanha nacional precisa crescer para além do público já convencido, e episódios de alta repercussão podem dificultar esse movimento.
O levantamento também foi divulgado em um momento de comparação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em eventual segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. No levantamento anterior, os dois estavam empatados em 45%. Em cenário de primeiro turno, Lula passou a abrir vantagem maior sobre o senador, com 40% contra 31%.
Caso Flávio Bolsonaro não seja candidato, o Datafolha perguntou quem ele deveria apoiar. Michelle Bolsonaro foi citada por 39% dos entrevistados como o nome preferido. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 17% cada. Eduardo Bolsonaro foi apontado por 10%. Outros 8% disseram que Flávio não deveria apoiar ninguém, e 9% não souberam responder.
Esse resultado coloca Michelle como principal alternativa dentro do campo bolsonarista, ao menos na percepção captada pela pesquisa. Também mostra que governadores como Zema e Caiado continuam no radar, mas ainda enfrentam disputa interna por espaço em um campo político dependente da transferência de votos ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento não encerra o debate sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas mostra que o caso Vorcaro entrou no centro da discussão eleitoral e passou a influenciar a leitura sobre o futuro da direita em 2026.





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