Flávio Bolsonaro admite encontro com Vorcaro e tenta conter desgaste após áudios vazados
Senador diz que procurou o dono do Banco Master para encerrar a parceria ligada ao filme sobre Jair Bolsonaro; caso aumenta pressão sobre sua pré-candidatura à Presidência
Por Redação — 19 de maio de 2026, às 18h44
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu nesta terça-feira (19) que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a primeira prisão do empresário, em novembro de 2025. A declaração foi dada em meio à repercussão dos áudios vazados que apontam cobranças milionárias relacionadas ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O caso ganhou força depois da divulgação de conversas atribuídas ao senador, nas quais ele teria tratado de repasses para a produção do longa. Segundo informações publicadas inicialmente pelo The Intercept Brasil e repercutidas por veículos nacionais e internacionais, o valor negociado chegaria a R$ 134 milhões, mas cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Flávio afirmou que o encontro com Vorcaro aconteceu para “botar um ponto final” na relação ligada ao projeto cinematográfico. De acordo com o senador, a situação do banqueiro, após a prisão e o uso de tornozeleira eletrônica, indicava que não havia mais condições de manter a parceria. Ele também disse que a produção passou a buscar outros investidores para concluir o filme.
A explicação ocorre em um momento delicado para o PL. Flávio Bolsonaro é tratado como pré-candidato à Presidência da República em 2026, em um cenário no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível. A ligação com Vorcaro passou a ser explorada por adversários políticos e provocou questionamentos dentro e fora do campo conservador.
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, investigação que apura supostas irregularidades bilionárias envolvendo o Banco Master. Ele foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e entrega de passaportes. Em março de 2026, voltou a ser preso preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O senador nega irregularidades. A versão apresentada por Flávio é a de que se tratava de um investimento privado, sem dinheiro público e com base contratual. Ele também afirmou que pedirá uma prestação de contas à produtora responsável pelo filme para demonstrar a destinação dos valores repassados.
Mesmo assim, o episódio abriu uma crise política. A revelação da aproximação entre Flávio e Vorcaro colocou a pré-candidatura do senador sob pressão e levantou dúvidas sobre os impactos eleitorais do caso. Segundo a Reuters, o episódio também mexeu com o mercado financeiro e entrou no radar da disputa presidencial de 2026.
A reunião do PL realizada nesta terça-feira teve como um dos objetivos ouvir explicações do senador sobre o caso e avaliar os possíveis reflexos na estratégia eleitoral do partido. Até o momento, Flávio tenta sustentar que a relação com Vorcaro ficou restrita à captação de recursos privados para o filme sobre seu pai.
O caso, porém, ainda deve gerar novos desdobramentos. Parlamentares da oposição já sinalizaram que pretendem usar a ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro no debate eleitoral. A discussão também pode avançar em pedidos de investigação sobre a origem, o destino e a regularidade dos valores envolvidos na produção.
Para aliados do senador, a prioridade agora é conter o desgaste e apresentar documentos que sustentem a versão de que a negociação ocorreu dentro da legalidade. Para críticos, a admissão do encontro com Vorcaro após a prisão do banqueiro aumenta a necessidade de esclarecimentos públicos.
O episódio ocorre em um ambiente político já marcado por tensão pré-eleitoral. Com a disputa de 2026 se aproximando, qualquer crise envolvendo nomes cotados para a corrida presidencial tende a ganhar peso nacional. No caso de Flávio Bolsonaro, o desgaste é ainda maior porque atinge diretamente um dos principais nomes do bolsonarismo para a sucessão presidencial.




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