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Peninha é indiciado após fala sobre evangélicos e caso vai para o Ministério Público

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Peninha é indiciado após fala sobre evangélicos e caso vai para o Ministério Público

Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu investigação sobre vídeo em que o escritor Eduardo Bueno sugeriu que evangélicos não deveriam votar

por Redação — 7 de maio de 2026, 21h15

O jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, foi indiciado nesta quinta-feira (7) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por suspeita de discriminação religiosa contra evangélicos. O caso envolve um vídeo publicado em janeiro, no qual o comunicador afirmou que pessoas evangélicas “não deveriam votar”.

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância. Segundo a apuração policial, a fala passou dos limites da crítica política e entrou no campo da discriminação religiosa ao defender a retirada de um direito político de um grupo identificado pela fé. O inquérito foi concluído e agora segue para análise do Ministério Público, que decidirá se apresenta ou não denúncia à Justiça.

O caso ganhou repercussão nacional porque envolve dois pontos sensíveis: a liberdade de expressão e os limites legais para manifestações públicas contra grupos religiosos. Para a polícia, a declaração não estaria protegida apenas como opinião ou humor, já que atingiu diretamente um grupo religioso e sugeriu a restrição do direito ao voto.

A conduta foi enquadrada na Lei Federal nº 7.716/89, norma que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A lei também prevê punição para quem pratica, induz ou incita discriminação por esses motivos.

No vídeo investigado, Peninha comentou que evangélicos não deveriam votar porque, segundo ele, não escolheriam seus próprios pastores. A declaração foi feita em tom de comentário político e humorístico, em meio a críticas ao comportamento eleitoral de parte do público evangélico. Depois da repercussão, o escritor afirmou que sua fala foi uma “forma de dizer” e que seu canal costuma usar metáforas, exageros e linguagem provocativa.

A defesa de Eduardo Bueno nega que tenha havido crime. O advogado Alexandre Wunderlich sustenta que a manifestação ficou dentro dos limites da liberdade de expressão e teve caráter jocoso. Ele também afirmou que o indiciamento será contestado no Judiciário.

Durante o interrogatório, Peninha permaneceu em silêncio, seguindo orientação da defesa. A estratégia é comum em investigações criminais e não representa, por si só, admissão de culpa. O indiciamento também não significa condenação. Trata-se de uma conclusão da polícia, que aponta suspeita formal contra o investigado. A próxima etapa depende do Ministério Público.

Além do inquérito na Polícia Civil gaúcha, também há uma investigação na Polícia Federal de Porto Alegre sobre o mesmo episódio. A defesa questiona a competência da Polícia Civil para apurar o caso, sob o argumento de que a investigação teria natureza federal.

A declaração de Peninha também motivou reação política. Em fevereiro, o deputado estadual Leonardo Siqueira, do Novo, protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo apuração por possível discurso de ódio e intolerância religiosa.

O episódio reacende o debate sobre o alcance da liberdade de expressão no Brasil, especialmente quando manifestações públicas envolvem grupos religiosos, políticos ou sociais. A Constituição protege a livre manifestação do pensamento, mas a legislação brasileira também pune discriminação e preconceito contra religião.

Eduardo Bueno é escritor, jornalista e autor de livros sobre a história do Brasil. Também comanda o canal Buenas Ideias no YouTube, onde publica conteúdos de história, política e comentários sobre temas nacionais. O caso agora fica nas mãos do Ministério Público, que poderá arquivar o inquérito, pedir novas diligências ou apresentar denúncia à Justiça.

Caso haja denúncia e ela seja aceita, o processo passa a tramitar na esfera judicial, com possibilidade de defesa formal, produção de provas e decisão final de um juiz. Até lá, Peninha segue investigado, mas sem condenação.


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