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Vitória expressiva da direita no Senado preocupa ministros do STF

Vitória expressiva da direita no Senado preocupa ministros do STF

Avanço conservador amplia temor de impeachment e de mudanças nos poderes da Corte; disputa pela presidência do Senado será decisiva em 2027

Por Redação | 5 de outubro de 2026, às 23h05

A vitória expressiva da direita nas eleições para o Senado acendeu um sinal de alerta entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagens publicadas nesta segunda-feira (5) mostram que parte dos ministros passou a avaliar com maior preocupação a possibilidade de processos de impeachment e de iniciativas legislativas destinadas a restringir atribuições do tribunal a partir de 2027. O resultado eleitoral fortaleceu grupos que fizeram das críticas à Corte uma das principais bandeiras de campanha.

Segundo apuração do analista de política Matheus Teixeira, da CNN Brasil, uma ala do Supremo estima que cerca de 50 senadores sejam declaradamente favoráveis ao impeachment de ministros. Nesse grupo do tribunal, Alexandre de Moraes é visto como o principal alvo de um eventual processo. Trata-se de uma avaliação de bastidores relatada pela emissora, e não de uma manifestação oficial ou de uma posição anunciada pelo conjunto dos magistrados.

A dimensão da preocupação também apareceu no relato da jornalista Daniela Lima, no UOL. De acordo com a apresentadora, um ministro descreveu a nova composição do Senado como o “pior cenário possível”. O receio envolve tanto a pressão por afastamentos quanto propostas que modifiquem competências do Supremo, incluindo sua atuação em processos criminais envolvendo parlamentares.

O avanço conservador ocorreu em uma eleição que renovou dois terços do Senado. Das 54 vagas em disputa, o PL conquistou 19, segundo levantamento publicado pelo UOL. Ao considerar os mandatos que continuam em vigor, a Folha de S.Paulo informa que o partido terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027. Esse crescimento amplia sua capacidade de negociar alianças e influenciar a agenda da Casa.

O fortalecimento político, entretanto, não representa uma decisão antecipada de afastar ministros. Um levantamento da Folha aponta ao menos 49 integrantes da próxima composição favoráveis ao impeachment de magistrados. Essa disposição declarada indica pressão, mas não equivale a voto garantido em uma acusação específica. Cada processo dependerá de seu conteúdo e da posição dos senadores diante dos fatos apresentados.

A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Para uma condenação, são necessários dois terços dos votos da Casa, o equivalente a 54 dos 81 senadores. Esse é o quórum constitucional para a decisão final condenatória e não deve ser confundido com todas as etapas anteriores do procedimento. A responsabilização exige tramitação própria e observância das normas aplicáveis.

A escolha do próximo presidente do Senado será, por isso, um dos momentos centrais da reorganização política. A presidência tem papel determinante no encaminhamento dos pedidos contra integrantes do Supremo. Segundo a Folha, a preocupação de ministros também alcança propostas para limitar decisões individuais e facilitar a tramitação de denúncias. O controle da agenda legislativa pode transformar o crescimento das bancadas conservadoras em pressão institucional mais concreta.

Diante desse cenário, há magistrados que defendem a construção de canais de diálogo. A Folha relatou que dois ministros consideram necessário buscar interlocução com parlamentares mais moderados do PL. A iniciativa, conforme a reportagem, seria uma tentativa de reduzir a possibilidade de afastamentos e administrar a relação com um Congresso mais disposto a confrontar o tribunal.

A avaliação dentro do Supremo, porém, não é uniforme. Em outra publicação, a Folha informou que ministros ainda acreditam na possibilidade de acomodação com o bolsonarismo. A expectativa considera diferenças entre os parlamentares da nova bancada e a influência que o resultado do segundo turno presidencial poderá exercer sobre as negociações em Brasília. Portanto, preocupação e busca de entendimento coexistem nos relatos sobre os bastidores da Corte.

A leitura política dos resultados é que a direita ganhou melhores condições para disputar o comando do Senado e colocar cobranças ao Judiciário no centro da agenda. Ainda assim, a passagem do discurso eleitoral para decisões efetivas dependerá da formação de alianças, das acusações eventualmente apresentadas e dos votos em cada procedimento. As reportagens revelam um Supremo preocupado com essa mudança de forças, enquanto o alcance do confronto permanece em aberto.

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