Onda conservadora fortalece disputa pelo Senado e pressão sobre STF
Avanço da direita amplia chances de comandar a Casa em 2027 e impulsiona debate sobre impeachment de ministros, que exige apoio de 54 senadores
Por Redação | 05/10/2026 às 21h48
O resultado das eleições de domingo (4) fortaleceu a direita no Senado e abriu caminho para uma disputa pelo comando da Casa com consequências para a relação entre Legislativo e Judiciário. A nova composição, que assume em fevereiro de 2027, amplia a capacidade do campo conservador de influenciar a agenda parlamentar e pressionar pela análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse avanço, porém, ainda não representa garantia de afastamento de integrantes da Corte.
O PL deverá chegar à próxima legislatura com 28 senadores, consolidando a maior bancada da Casa. O crescimento aumenta o peso do partido nas negociações para a presidência e para o comando de comissões estratégicas, como a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Assuntos Econômicos. Esses espaços participam da análise de projetos e de indicações para cargos importantes do Estado.
A renovação alcançou 54 das 81 cadeiras do Senado, equivalentes a dois terços de sua composição. Os eleitos se juntarão aos parlamentares cujos mandatos continuam. Por isso, a força de cada grupo em 2027 depende da combinação entre as novas bancadas e os senadores que permanecerão na Casa.
A primeira grande disputa será pela presidência do Senado. O cargo tem influência sobre a pauta, a condução dos trabalhos e o encaminhamento de denúncias contra autoridades. Para os conservadores que defendem o impeachment de ministros, conquistar essa posição pode criar condições políticas mais favoráveis para que os pedidos sejam examinados. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) aparecem entre os nomes considerados nessa articulação.
A escolha do presidente ocorre por votação secreta, com exigência de maioria dos votos e presença da maioria dos integrantes da Casa. Em uma votação com os 81 senadores participando, 41 votos representam a maioria. O caráter secreto da eleição, entretanto, permite que o resultado seja diferente das manifestações públicas de apoio e torna decisiva a capacidade de construir acordos entre partidos e parlamentares.
No caso do impeachment, a exigência é maior. A condenação de um ministro do STF por crime de responsabilidade depende de dois terços dos membros do Senado, ou seja, 54 votos. A Constituição atribui à Casa a competência para processar e julgar essas autoridades. Uma maioria suficiente para eleger o presidente do Senado, portanto, pode não alcançar o número necessário para retirar um ministro do cargo.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, ao menos 49 parlamentares da futura composição defendem o impeachment de ministros do Supremo, alguns com ressalvas. O número fica cinco abaixo do patamar exigido para uma condenação. Além disso, apoiar a possibilidade de impeachment não significa aprovar qualquer denúncia: a posição de cada senador poderá depender dos fatos apresentados e do ministro envolvido.
As etapas iniciais também precisam considerar as decisões judiciais sobre o procedimento. Em dezembro de 2025, a Agência Senado informou que uma liminar de Gilmar Mendes mantinha a exigência de 54 votos para aceitar e aprovar pedidos contra ministros do STF. A discussão demonstra que a tramitação envolve tanto a formação de apoio parlamentar quanto as regras jurídicas aplicáveis ao processo.
O impeachment exige uma acusação enquadrada nos crimes de responsabilidade previstos em lei e o respeito ao direito de defesa. A legislação estabelece condutas pelas quais ministros podem ser responsabilizados, como exercer atividade político-partidária ou proferir julgamento quando legalmente suspeitos na causa. Divergências políticas com decisões do tribunal, por si só, não demonstram a ocorrência dessas infrações.
A leitura política do resultado é que o campo conservador ganhou condições mais favoráveis para disputar o comando do Senado e transformar a cobrança contra o Supremo em pauta parlamentar. O desfecho dependerá da escolha do presidente da Casa, da consistência das denúncias e da capacidade de reunir os votos exigidos. As urnas ampliaram a força dessa agenda; sua execução será decidida nas negociações e nos procedimentos da próxima legislatura.




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