Banner
×

Marcos Pontes tenta explicar ausência mas irrita eleitores que esperavam voto contra Messias

Destaques

Marcos Pontes tenta explicar ausência mas irrita eleitores que esperavam voto contra Messias

Senador por São Paulo apresentou justificativa considerada fraca por eleitores, que passaram a acusá-lo de medo e omissão em uma das votações mais importantes contra o governo Lula

Por Redação — 2 de maio de 2026, às 17h45

O senador Astronauta Marcos Pontes, eleito por São Paulo pelo PL, virou alvo de forte cobrança de parte de seus próprios eleitores após não votar contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A votação no Senado terminou com a rejeição do nome indicado pelo presidente Lula, por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. O resultado divulgado pela Agência Brasil aponta Marcos Pontes entre os senadores ausentes da sessão, ao lado de Wilder Morais, Cid Gomes e Oriovisto Guimarães.

A ausência provocou reação imediata entre eleitores de direita, especialmente porque a votação era tratada pela oposição como uma das principais derrotas impostas ao governo Lula no Senado. Para parte da base conservadora, Pontes deveria ter comparecido e votado “não” contra Messias, sem deixar margem para dúvidas.

A crise aumentou depois que o senador tentou explicar sua posição. Em publicação própria, Pontes defendeu que, em votações secretas no Senado, registrar presença e não votar seria uma forma de demonstrar que o parlamentar não contribuiu com votos “sim”. Segundo ele, como o painel não revela individualmente quem votou a favor ou contra, a ausência de voto seria uma estratégia de transparência para mostrar que não ajudou na aprovação.

A justificativa, porém, foi recebida como fraca por muitos eleitores. A tentativa de transformar a ausência de voto em gesto de transparência acabou soando, para parte dos apoiadores, como uma desculpa para evitar uma posição direta. Nos comentários, vários seguidores disseram que Pontes teria “amarelado” e agido por medo de assumir um voto claro contra o indicado de Lula.

Entre as reações, uma internauta escreveu: “Se quisesse dizer não, votaria não! Simples assim”. Outro eleitor questionou: “Existe o voto ‘NÃO’ pra que então?”. Um terceiro ironizou a tese apresentada pelo senador: “O sistema só computa votos ‘sim’? E os 42 ‘não’, são o quê? Meu Deus do céu, que negócio patético”.

A cobrança também apareceu em tom de decepção eleitoral. Um seguidor afirmou: “O meu voto no senhor não foi abstenção, foi sim. Na próxima será não. Abraço”. Outro escreveu: “Por isso, senador, que para sua reeleição o senhor já tem o meu NÃO!”. Houve ainda quem publicasse: “Deixando de seguir. 3… 2… 1”.

A palavra “medo” não aparece apenas como crítica indireta. Parte dos eleitores passou a tratar a ausência como falta de coragem política. Um comentário resumiu o sentimento com a pergunta: “Amarelou, por quê?”. Outro foi direto: “Postura fraca. É não e pronto!!!”. Em outra mensagem, um eleitor afirmou: “Abstenção não é protesto. É silêncio conveniente”.

A repercussão mostra que a explicação de Pontes não encerrou a polêmica. Pelo contrário, aumentou o desgaste. A base que esperava um voto objetivo contra Jorge Messias passou a interpretar a justificativa como tentativa de racionalizar uma omissão. Para esses eleitores, não havia complexidade técnica suficiente para substituir uma postura simples: comparecer, votar e deixar claro o posicionamento político.

Também houve ironia contra a tentativa de apresentar neutralidade como transparência. Um comentário afirmou: “Não concordo, neutro é o detergente aqui de casa”. Outro seguidor escreveu: “Quanto mais tentar se explicar, mais complicado fica”. A frase resume bem o efeito político da justificativa: Pontes tentou reduzir a pressão, mas abriu novo espaço para críticas.

O caso ganhou peso porque a rejeição de Jorge Messias teve dimensão histórica. O Senado barrou a indicação do advogado-geral da União ao STF, em uma derrota política relevante para Lula. A Veja registrou que foi a primeira rejeição de uma indicação ao Supremo em mais de 130 anos.

Nesse contexto, a ausência de Marcos Pontes ficou ainda mais sensível para o eleitorado conservador. O senador foi eleito por São Paulo com forte apoio da direita e construiu sua imagem pública ligada ao bolsonarismo, ao PL e ao discurso de oposição ao governo federal. Por isso, a base cobrou dele um gesto inequívoco contra Messias.

A tese da “transparência” também foi questionada por veículos nacionais antes mesmo da votação. A Veja publicou que Pontes havia ensinado uma forma de “burlar” o voto secreto ao defender a estratégia de registrar presença e não votar, justamente para tentar deixar visível que não teria votado “sim”.

O problema político é que o eleitor comum não leu a situação pela lógica do painel do Senado. Leu pela lógica da representação. Para quem votou em Pontes esperando oposição firme ao governo Lula, a ausência em uma votação desse tamanho foi vista como falha. A explicação posterior, considerada fraca por apoiadores, agravou a percepção de que o senador tentou escapar do desgaste.

A crise também mostra como a base de direita cobra seus próprios representantes quando entende que houve hesitação. Não se trata apenas de crítica de adversários. Pelos comentários, parte da reação veio de eleitores que se dizem decepcionados com alguém em quem votaram. O tom dominante foi de cobrança, frustração e ameaça de retirada de apoio na próxima eleição.

Marcos Pontes tentou defender que sua posição foi contrária a Jorge Messias. O eleitorado crítico, porém, reagiu com uma pergunta simples: se era contra, por que não votou “não”? Essa é a dúvida que passou a dominar a repercussão nas redes e que transformou a justificativa em novo problema político para o senador paulista.

No fim, a explicação não convenceu a ala mais dura de seus apoiadores. Para essa parcela da base, a ausência não foi transparência. Foi medo, omissão ou cálculo político mal explicado. E, em uma votação simbólica como a de Jorge Messias ao STF, esse tipo de leitura costuma custar caro.

Publicar comentário