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Gilmar Mendes defende familiares de Vorcaro e sai enfraquecido após reação de Mendonça

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Gilmar Mendes defende familiares de Vorcaro e sai enfraquecido após reação de Mendonça

Relator das investigações sobre o Banco Master discordou de Gilmar Mendes, rejeitou comparação com a Lava Jato e defendeu a manutenção das prisões de pai e primo de Daniel Vorcaro

Por Redação
São Paulo, 17 de junho de 2026, às 06h30

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, rebateu nesta terça-feira (16) o ministro Gilmar Mendes durante o julgamento que analisa a prisão de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

Relator do caso, Mendonça votou pela manutenção das prisões e rejeitou a comparação feita por Gilmar entre a condução das apurações e a Operação Lava Jato. O ministro afirmou que não age por pressão da imprensa, não busca exposição pública e não conduz o processo com base em sensacionalismo.

A divergência ocorreu na Segunda Turma do STF. Gilmar Mendes havia defendido a derrubada das prisões e criticado pontos da investigação, citando preocupação com vazamentos, espetacularização e riscos de repetição de práticas associadas à Lava Jato. Mendonça respondeu em tom firme e sustentou que o caso do Banco Master tem características próprias, que não podem ser reduzidas a uma comparação com investigações anteriores.

Durante o voto, o relator afirmou que a apuração não trata apenas de crimes financeiros tradicionais ou de irregularidades cometidas por executivos em ambiente corporativo. Segundo Mendonça, os elementos reunidos indicam suspeitas de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro, prejuízo ao sistema financeiro e dilapidação de recursos ligados ao fundo garantidor das poupanças.

Em um dos trechos mais duros da manifestação, o ministro disse que o caso possui “contornos de máfia” e de crime organizado. A fala marcou o julgamento e expôs a diferença de entendimento entre os ministros sobre a gravidade dos fatos investigados e sobre a necessidade de manter as prisões preventivas.

Mendonça também respondeu às críticas sobre eventuais vazamentos no curso da investigação. O ministro afirmou que apurações paralelas foram abertas para identificar possíveis responsáveis pela divulgação indevida de informações protegidas por sigilo. Para o relator, a existência de vazamentos deve ser investigada, mas não pode servir, por si só, como fundamento para enfraquecer ou encerrar uma apuração considerada grave.

O ministro também disse ter consciência de que o voto poderia entrar para a história do Supremo. A declaração foi feita em resposta a Gilmar Mendes, que havia mencionado o peso institucional do julgamento. Mendonça afirmou ainda que não se presta a “trabalhos abjetos”, em reação às críticas feitas durante a sessão.

O embate chamou atenção pelo tom direto entre integrantes da Corte. Embora divergências sejam comuns em julgamentos do Supremo, a troca de manifestações no caso Banco Master ganhou força pela gravidade das acusações, pela repercussão pública da investigação e pelo envolvimento de nomes ligados ao mercado financeiro.

As prisões de Henrique e Felipe Vorcaro são analisadas dentro de um conjunto mais amplo de investigações envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo. A defesa dos investigados busca a revogação das medidas e nega irregularidades. Já o relator entende que há elementos suficientes para justificar a manutenção das prisões neste momento.

Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma, defendeu cautela na condução do caso. Para ele, o Supremo precisa evitar excessos e impedir que investigações de grande repercussão repitam erros vistos em processos anteriores. A posição, no entanto, foi contestada por Mendonça, que sustentou que a comparação com a Lava Jato não se aplica ao caso em análise.

O julgamento ainda pode ter novos desdobramentos. Além da discussão sobre as prisões, o processo envolve questionamentos sobre a extensão das suspeitas, a atuação dos investigados, a validade das medidas adotadas e a apuração de eventuais vazamentos de informações sigilosas.

O caso Banco Master segue como um dos temas de maior repercussão no Supremo e no mercado financeiro. A decisão da Segunda Turma pode influenciar os próximos passos da investigação e a situação dos investigados ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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