EUA acusam ministro do STF de comprometer relação bilateral com o Brasil
Vice da diplomacia americana critica abusos de autoridade e sinaliza que interlocução com Washington será feita apenas com Executivo e Legislativo
Por Redação
09/08/2025 – 19h21
O número dois da diplomacia dos Estados Unidos, Christopher Landau, acusou um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de “usurpar o poder” e ameaçar líderes de outros poderes e seus familiares com prisão, o que, segundo ele, estaria destruindo a relação histórica entre os dois países. Embora não tenha citado nominalmente, a fala foi interpretada como referência direta a Alexandre de Moraes, alvo de sanções impostas por Washington.
Landau afirmou que os EUA estão “em um beco sem saída” quanto ao diálogo com o Judiciário brasileiro e que, diante do cenário atual, qualquer tratativa será conduzida com o Executivo e o Legislativo, não com o ministro em questão. Ainda assim, reforçou que há interesse em retomar a cooperação tradicional com o Brasil.
As críticas ocorrem em meio a medidas punitivas que já atingem integrantes do STF, como a suspensão de vistos e tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. No centro das tensões estão a condução das investigações sobre os atos de 8 de janeiro, processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e a postura do ministro em relação à regulação de plataformas digitais.
Dentro do STF, o clima é de preocupação, mas sem recuos. A Corte mantém o calendário de julgamentos, incluindo para setembro a ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, tendo Bolsonaro como principal réu. Entre ministros, alguns minimizam o impacto das sanções, enquanto outros, com vínculos acadêmicos e pessoais mais estreitos com os EUA, sentem efeitos práticos mais relevantes.
A escalada diplomática expõe não apenas divergências jurídicas, mas também o peso político que decisões de ministros do STF passaram a ter no tabuleiro internacional, reforçando críticas sobre ativismo judicial e seus reflexos nas relações externas do Brasil.





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