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Dino sai em defesa do STF em meio ao desgaste do caso Master e diz que Corte acerta mais do que erra

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Dino sai em defesa do STF em meio ao desgaste do caso Master e diz que Corte acerta mais do que erra

Declaração do ministro expõe o esforço da Corte para conter danos de imagem enquanto enfrenta pressão política, crise interna e julgamento de alto impacto

por Redação — 10 de março de 2026, 23h05

Em meio ao ambiente de desgaste que cerca o Supremo Tribunal Federal nas últimas semanas, o ministro Flávio Dino fez nesta terça-feira, 10 de março, uma defesa pública da atuação da Corte e afirmou que o STF “acerta mais do que erra”. A declaração foi dada durante sessão da Primeira Turma, no julgamento da ação penal que envolve deputados do PL acusados de participação em um esquema de desvio de emendas parlamentares. Na fala, Dino também criticou a forma como o tribunal vem sendo avaliado e disse que há “falta de moderação, prudência e cuidado” em parte das análises feitas sobre o papel do Supremo.

A manifestação não ocorreu em um vazio político. O Supremo atravessa uma fase de pressão provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master, que abriu nova frente de desgaste institucional, atingiu ministros da Corte e ampliou a cobrança por explicações internas. Nos bastidores, a crise levou o presidente do STF, Edson Fachin, a se movimentar para conter danos e organizar uma reação institucional, enquanto o nome de Dias Toffoli entrou no centro do debate após a descoberta, pela Polícia Federal, de menções a seu nome em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Em fevereiro, Fachin chegou a abrir procedimento interno para tratar do tema, e a permanência de Toffoli na condução do caso passou a ser questionada dentro e fora do tribunal.

Foi nesse cenário que Dino decidiu reagir publicamente. Ao defender o Supremo, o ministro tentou deslocar o foco das críticas e resgatar decisões que, na visão dele, demonstram a importância institucional da Corte. Um dos pontos citados foi a atuação do tribunal na exigência de mais transparência e rastreabilidade na aplicação de emendas parlamentares, com referência a decisões da ministra aposentada Rosa Weber. Para Dino, esse foi um dos grandes acertos recentes do STF, justamente por estabelecer limites e mecanismos de controle sobre uma área que há anos é alvo de questionamentos políticos e jurídicos.

A fala ocorreu durante um julgamento sensível. A Primeira Turma começou a analisar a ação penal contra os deputados Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa, além de outros réus, acusados de integrar uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o grupo teria solicitado propina em troca da liberação de verbas destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão. O valor apontado na acusação gira em torno de R$ 1,6 milhão, em troca da destinação de cerca de R$ 6,67 milhões em emendas para a área da saúde. As defesas negam irregularidades e sustentam ausência de provas.

O julgamento em si já teria peso político por colocar parlamentares federais no banco dos réus em um caso ligado ao uso de emendas. Mas a sessão ganhou contorno ainda mais amplo com a declaração de Dino, que acabou funcionando como uma resposta ao momento vivido pelo Supremo. Na prática, o ministro fez um discurso de proteção institucional num instante em que o tribunal tenta administrar não apenas o conteúdo jurídico dos processos, mas também o impacto político de suspeitas, vazamentos, questionamentos sobre relações impróprias e desgaste de imagem.

A mensagem transmitida por Dino tem dois alvos evidentes. O primeiro é o debate público, hoje marcado por críticas crescentes à atuação do Supremo em temas políticos e criminais. O segundo está dentro do próprio sistema institucional, onde o STF tenta evitar que a crise em torno do caso Master contamine ainda mais sua autoridade. Ao dizer que o tribunal erra por ser uma instituição humana, mas acerta muito mais, o ministro procurou construir uma linha de defesa que combina reconhecimento de falhas com reafirmação de legitimidade. É uma tentativa de frear a erosão da confiança sem abrir mão do protagonismo que a Corte assumiu nos últimos anos.

Resta saber se esse discurso será suficiente para reduzir a temperatura. No curto prazo, a tendência é oposta. O caso Master continua produzindo efeitos nos bastidores de Brasília, enquanto o julgamento sobre emendas recoloca no centro da cena um tema que atinge diretamente Congresso, governo e Judiciário. Nesse ambiente, cada declaração de ministro deixa de ser apenas comentário de sessão e passa a funcionar como sinal político. A fala de Dino teve exatamente esse peso: não foi só defesa do STF, mas um recado claro de que a Corte pretende reagir ao cerco público com discurso de autoridade e preservação institucional.

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