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Escritório da esposa de Alexandre de Moraes diz que prestou consultoria ao Banco Master e nega atuação no STF

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Escritório da esposa de Alexandre de Moraes diz que prestou consultoria ao Banco Master e nega atuação no STF

Contrato milionário e mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro voltam a colocar o caso no centro do debate político e institucional no país

por Redação — 09/03/2026 — 10h12

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, divulgou nesta segunda-feira (9) uma nota pública para esclarecer sua relação profissional com o Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que voltou a ser preso na última semana pela Polícia Federal.

Segundo o comunicado, o escritório prestou serviços jurídicos ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. A nota afirma que a atuação foi restrita à consultoria jurídica e que nenhuma causa relacionada ao banco foi conduzida no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o documento divulgado, os serviços foram realizados por uma equipe formada por 15 advogados do escritório, além de três bancas especializadas em consultoria que atuaram sob coordenação da equipe principal. A atuação envolveu reuniões periódicas com a direção do banco e com setores internos ligados à área de compliance.

No relatório apresentado pelo escritório, são citados 79 encontros presenciais realizados na sede do Banco Master, com duração média de três horas cada. Também ocorreram 13 reuniões com a presidência da instituição, sendo duas presenciais e outras por videoconferência. Além disso, foram registradas duas reuniões virtuais adicionais com o departamento jurídico do banco.

A nota detalha ainda que, durante o período do contrato, foram elaborados pareceres jurídicos e relatórios técnicos relacionados à governança e às políticas internas da instituição financeira. Entre os trabalhos realizados estaria a elaboração de uma política de relacionamento com o poder público, documento que estabelece diretrizes para interações com agentes estatais dentro das regras previstas pela legislação anticorrupção.

Apesar das explicações apresentadas, o valor do contrato chamou atenção. Informações divulgadas por veículos de imprensa apontam que o acordo firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,5 milhões ao longo de três anos, o que poderia resultar em cerca de R$ 130 milhões em honorários.

Especialistas em direito consultados por diferentes veículos afirmam que a atividade de consultoria jurídica em assuntos relacionados ao poder público é legal e comum em grandes contratos empresariais. Ainda assim, alguns juristas ouvidos reservadamente observam que a proximidade familiar com um ministro do Supremo tende a ampliar a sensibilidade política do caso e a gerar questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse.

O tema ganhou nova dimensão após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na quarta-feira (4), em São Paulo, durante uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. A ação faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de dispositivos eletrônicos.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que passou a relatar o caso recentemente. Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos.

Outro ponto que ampliou a repercussão do episódio foram mensagens atribuídas ao banqueiro que teriam sido encontradas pela perícia da Polícia Federal em dispositivos apreendidos durante a investigação. Parte desse material foi revelada em reportagem publicada na última semana e indica que Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes em novembro de 2025, horas antes de ser preso pela primeira vez.

Segundo a publicação, algumas das respostas teriam sido enviadas em formato de visualização única, o que impede a recuperação posterior do conteúdo. Após a divulgação das mensagens, a assessoria de comunicação do Supremo informou que o ministro nega que as mensagens tenham sido direcionadas a ele.

Mesmo sem confirmação definitiva sobre o teor das conversas, o episódio passou a alimentar debates políticos sobre transparência, relações institucionais e os limites entre atividade privada e poder público em um momento de elevada polarização nacional.

Nos bastidores de Brasília, parlamentares e analistas avaliam que o caso tende a manter pressão sobre o Supremo Tribunal Federal e sobre o sistema financeiro enquanto as investigações da Polícia Federal continuam avançando.

A divulgação do relatório do escritório Barci de Moraes ocorre justamente nesse contexto de maior escrutínio público, em um momento em que a atuação de instituições e autoridades tem sido observada com crescente atenção por diferentes setores da sociedade.

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