PF aponta plano de agressão contra jornalista Lauro Jardim em investigação sobre o Banco Master
Mensagens interceptadas indicam que banqueiro teria sugerido ataque para intimidar reportagens consideradas prejudiciais
por Redação — 04/03/2026 às 09:40
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master, teria sugerido a agressão contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Os diálogos fazem parte da investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de Justiça.
De acordo com informações incluídas na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, as conversas indicariam a intenção de intimidar o jornalista após a publicação de reportagens consideradas prejudiciais aos interesses do empresário. Segundo o ministro, o objetivo seria silenciar manifestações críticas da imprensa relacionadas às atividades investigadas.
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da operação conduzida pela Polícia Federal. Esta é a segunda prisão do banqueiro no âmbito da mesma investigação. Na fase inicial da operação, realizada em novembro do ano passado, ele chegou a permanecer detido por 11 dias antes de ser liberado mediante medidas cautelares.
Os investigadores apontam que as mensagens foram trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como responsável por coordenar um núcleo de vigilância e intimidação dentro da estrutura investigada. Nos diálogos analisados pela Polícia Federal, os dois discutem reportagens publicadas pelo jornalista e mencionam a possibilidade de monitorar sua rotina.
Em determinado trecho da conversa, segundo a investigação, o banqueiro teria sugerido que o jornalista fosse agredido durante uma situação que simulasse um assalto. A Polícia Federal entende que a intenção seria criar uma aparência de crime comum para encobrir a motivação real do ataque.
O interlocutor citado nas mensagens teria respondido de forma positiva à proposta e indicado que verificaria a possibilidade de executar a ação. A partir dessas conversas, os investigadores passaram a analisar indícios de monitoramento da rotina do jornalista e de outras pessoas que poderiam ser consideradas adversárias do grupo investigado.
De acordo com a decisão judicial, as conversas também mostram a sugestão de colocar pessoas para seguir o jornalista e levantar informações sobre seus hábitos e deslocamentos. Para os investigadores, esse tipo de prática indicaria a existência de um sistema de vigilância privada utilizado para acompanhar indivíduos considerados críticos ou prejudiciais aos interesses do grupo.
Embora Lauro Jardim seja o único jornalista citado nominalmente nas mensagens analisadas, a investigação aponta que profissionais da imprensa estavam entre os possíveis alvos monitorados. O levantamento incluiria ainda concorrentes empresariais, ex-funcionários, autoridades públicas e outras pessoas relacionadas ao caso.
A terceira fase da Operação Compliance Zero cumpre quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As diligências contam com apoio do Banco Central e integram um conjunto mais amplo de apurações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
Além das prisões e das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A medida busca preservar ativos potencialmente relacionados às práticas investigadas e impedir movimentações financeiras enquanto o caso segue sob análise das autoridades.
As investigações continuam em andamento e novas diligências podem ocorrer à medida que os órgãos responsáveis aprofundam a análise das mensagens, movimentações financeiras e conexões entre os envolvidos.





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