Banqueiro Daniel Vorcaro é preso novamente em operação da Polícia Federal
Nova fase da investigação autorizada pelo STF mira possível obstrução de justiça e crimes financeiros ligados ao grupo investigado
por Redação — 04/03/2026 às 09:20
O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) durante nova etapa da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após surgirem suspeitas de que o banqueiro teria tentado interferir no andamento das investigações relacionadas à instituição financeira.
A ordem foi cumprida na cidade de São Paulo. Esta é a segunda vez que Vorcaro é detido no âmbito da mesma investigação. Em novembro do ano passado, na primeira fase da operação, ele chegou a ser preso, mas acabou liberado posteriormente mediante medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
As autoridades passaram a considerar necessária uma nova prisão após indícios de que o empresário teria realizado movimentações para influenciar pessoas ligadas ao caso. Segundo informações obtidas por investigadores, haveria tentativa de pressão ou contato com envolvidos e testemunhas relacionadas às apurações sobre o banco.
Outro nome citado na nova fase da operação é o do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A Justiça também decretou a prisão preventiva dele nesta quarta-feira. De acordo com a defesa, Zettel deve se apresentar voluntariamente às autoridades para cumprir a ordem judicial.
A atual etapa da investigação corresponde à terceira fase da operação e apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo empresarial.
A operação investiga um conjunto de possíveis crimes que incluem fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. A Polícia Federal afirma que os fatos apurados indicam a atuação de uma estrutura organizada para praticar essas condutas, o que ampliou o escopo da investigação e motivou novas medidas judiciais.
Nesta etapa da operação, os agentes federais cumprem quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As ações contam com apoio técnico do Banco Central, que acompanha o caso por envolver uma instituição do sistema financeiro.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou medidas patrimoniais consideradas de grande impacto. Entre elas estão ordens de bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. O objetivo, segundo os investigadores, é impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam ter relação com eventuais práticas ilegais.
Também foram determinadas medidas administrativas, incluindo o afastamento de pessoas de cargos públicos relacionados às apurações. Essas decisões fazem parte de um conjunto de ações que busca impedir interferências na investigação enquanto as autoridades aprofundam a análise das operações financeiras e das relações entre os envolvidos.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver um banco que atua no mercado financeiro brasileiro e por mobilizar órgãos como o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal. A investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades responsáveis.
Até o momento, as defesas dos investigados não haviam apresentado manifestação pública detalhada sobre as acusações relativas à atual fase da operação.





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