Morre Ali Khamenei, líder iraniano que comandou um dos regimes mais repressivos do mundo
Aiatolá esteve no poder por quase quatro décadas, enfrentou acusações de repressão violenta a protestos e deixa cenário de tensão no Oriente Médio
por Redação — 01/03/2026 09h40
O governo do Irã confirmou neste sábado (28) a morte de Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. A informação foi divulgada pela agência estatal Fars e posteriormente confirmada por autoridades iranianas. Segundo o comunicado oficial, ele morreu durante um bombardeio atribuído aos Estados Unidos.
O presidente norte-americano Donald Trump declarou que os ataques continuarão nos próximos dias, elevando a tensão internacional. O governo iraniano decretou 40 dias de luto nacional e classificou a ação como um crime de guerra.
Khamenei assumiu o cargo após a morte de Ruhollah Khomeini e tornou-se a principal autoridade política e religiosa do país, com poder acima do presidente e do Parlamento. Durante quase quatro décadas, consolidou um sistema teocrático rígido, marcado por forte controle sobre a imprensa, o Judiciário, as Forças Armadas e o processo eleitoral.
Organizações internacionais de direitos humanos apontaram reiteradamente o regime iraniano como um dos mais repressivos da atualidade. Protestos populares foram reprimidos com força ao longo dos anos. Em manifestações recentes contra o governo, iniciadas após a morte de uma jovem sob custódia policial, centenas de pessoas morreram segundo relatórios independentes, enquanto milhares foram presas. Grupos opositores afirmam que o número real de vítimas pode ter sido significativamente maior.
O governo iraniano sempre negou violações sistemáticas, mas relatórios de entidades estrangeiras mencionam execuções de opositores, perseguição a minorias religiosas e restrições severas aos direitos das mulheres. A chamada polícia moral foi um dos símbolos desse período, responsável por fiscalizar costumes e impor regras religiosas à população.
No cenário internacional, o Irã ampliou sua influência regional por meio do apoio a grupos armados no Oriente Médio e manteve um programa nuclear que gerou sucessivas sanções econômicas impostas por países ocidentais. A política externa do país aproximou-se de diferentes governos ao redor do mundo. O Brasil manteve relações diplomáticas e comerciais com o Irã ao longo de diferentes administrações, incluindo durante os mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dentro da política externa brasileira de diálogo com diversas nações.
Analistas avaliam que a morte do líder supremo pode abrir um período de instabilidade interna, já que o cargo concentra enorme poder político e religioso. O sucessor deverá ser escolhido pelo Conselho de Especialistas, órgão composto por clérigos com autoridade para definir a liderança máxima do país.



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