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Ex-juíza que reclamou de “não ter nem café” recebeu quase R$ 300 mil em três meses

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Ex-juíza que reclamou de “não ter nem café” recebeu quase R$ 300 mil em três meses

Declaração no STF sobre falta de estrutura em varas de primeiro grau contrasta com valores recebidos entre outubro e dezembro de 2025

por Redação
26 de fevereiro de 2026 – 21h32

A fala de uma ex-juíza aposentada no plenário do Supremo Tribunal Federal provocou forte reação nas redes sociais e no meio político. Ao defender a manutenção dos chamados “penduricalhos” – adicionais que elevam a remuneração de magistrados acima do teto do funcionalismo –, ela afirmou que juízes de primeiro grau “não têm nem água nem café” e que o subsídio bruto divulgado não corresponde ao valor líquido efetivamente recebido.

O que chamou a atenção, no entanto, foram os números revelados na sequência. Segundo dados apresentados em reportagem da coluna de Manuela Alcântara, a ex-juíza aposentada Claudia Márcia de Carvalho Soares recebeu R$ 296 mil apenas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025 juiza.

O valor equivale a quase R$ 100 mil por mês no período analisado.

Durante sua manifestação, a magistrada argumentou que o subsídio de R$ 46 mil sofre descontos previdenciários e de Imposto de Renda, reduzindo o valor líquido para cerca de R$ 24 mil. Ela também afirmou que juízes de primeiro grau não contam com carro oficial, plano de saúde, apartamento funcional ou refeitório, e que muitas despesas são custeadas do próprio bolso.

A declaração foi feita em sessão que analisava decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam pagamentos considerados acima do teto constitucional. O limite atual do funcionalismo gira em torno de R$ 46 mil mensais.

Apesar da defesa apresentada no plenário, os números divulgados mostram que, somente em outubro, novembro e dezembro de 2025, a ex-juíza recebeu respectivamente R$ 91 mil, R$ 91 mil e R$ 113,8 mil juiza. Somados, os três meses alcançam R$ 296 mil.

Os dados também indicam que, ao longo de 2025, não houve mês em que a remuneração total tenha ficado abaixo de R$ 40 mil juiza. Em janeiro, por exemplo, o valor foi de R$ 63 mil. Em fevereiro, R$ 46 mil. Entre março e setembro, os valores giraram em torno de R$ 44 mil mensais juiza.

A discussão reacende um debate recorrente no país: a existência de verbas indenizatórias, auxílios e adicionais que, somados, ultrapassam o teto constitucional. Para críticos, o mecanismo cria super salários em um cenário de forte pressão fiscal e dificuldades enfrentadas pela maioria da população. Para defensores, trata-se de compensações legítimas por responsabilidades, restrições e despesas inerentes à carreira.

O contraste entre a fala sobre “não ter nem café” e o montante recebido em apenas três meses se tornou o ponto central do debate público. Em um país onde a renda média do trabalhador é significativamente inferior a esses valores, a repercussão foi imediata.

A análise do caso deve continuar no STF, enquanto cresce a cobrança por maior transparência e revisão das regras que permitem a soma de benefícios acima do teto constitucional.

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