Tarcísio critica desfile em homenagem a Lula e questiona isonomia na aplicação da lei eleitoral
Governador de São Paulo afirma que apresentação na Sapucaí levanta dúvidas sobre “2 pesos e 2 medidas” nas decisões da Justiça Eleitoral
por Redação
16 de fevereiro de 2026 às 23:45
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou um tom duro ao comentar o desfile da escola Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (15) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Em vídeo publicado em seu perfil na rede social X, Tarcísio afirmou que a apresentação levanta questionamentos sobre a isonomia na aplicação da legislação eleitoral no país.
“Aos amigos, tudo. Os favores. Aos inimigos, à lei”, declarou o governador no início da gravação. Ele afirmou que a frase, frequentemente atribuída a Maquiavel, reflete uma prática recorrente na política brasileira, marcada, segundo ele, pelo uso seletivo do poder público.
Ao longo do vídeo, Tarcísio relembrou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2022. Ele citou a reunião com embaixadores realizada no Palácio da Alvorada e as comemorações do bicentenário da Independência, em 7 de setembro, como episódios que fundamentaram as decisões judiciais.
O governador também mencionou a proibição de veiculação de documentários críticos ao então candidato Lula durante o período eleitoral de 2022, argumentando que houve interpretação rígida das normas na ocasião. Segundo ele, o conteúdo não seria exibido em TV aberta e dependeria de acesso voluntário do público, o que, em sua avaliação, diferencia os casos.
Ao comentar o desfile na Sapucaí, Tarcísio questionou se a apresentação não poderia ser caracterizada como propaganda antecipada. Ele destacou que o samba-enredo trouxe trechos de jingles historicamente associados às campanhas do PT, além de referências a bandeiras do atual governo e à presença do presidente na avenida. Para o governador, é necessário discutir se haverá o mesmo rigor jurídico aplicado em episódios anteriores.
No vídeo, o chefe do Executivo paulista ampliou as críticas, afirmando que o país enfrenta uma crise institucional e fiscal que, segundo ele, não estaria sendo debatida com a devida profundidade. Ele citou temas como produtividade, qualidade das instituições, sistema de freios e contrapesos e competitividade de mercado, defendendo que o Brasil precisa discutir diagnósticos estruturais para avançar.
Tarcísio também afirmou que a política nacional vive um momento de polarização e que o debate público estaria sendo substituído por disputas ideológicas. “Quem perde é o Brasil”, declarou. Ele argumentou que o país precisa discutir liderança, eficiência administrativa e desenvolvimento sustentável de longo prazo.
O desfile da Acadêmicos de Niterói integrou a programação do Carnaval carioca e trouxe referências históricas e políticas em seu enredo. Até o momento, não houve manifestação oficial do Tribunal Superior Eleitoral sobre eventuais questionamentos relacionados ao caso.
A declaração do governador reacende o debate sobre os limites entre manifestação cultural, expressão política e propaganda eleitoral, tema que já foi objeto de decisões judiciais em pleitos anteriores. Especialistas apontam que a análise jurídica dependeria de elementos como contexto, período eleitoral e eventual pedido explícito de voto.





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