Lula sai em defesa do regime venezuelano após ação dos EUA que derrubou Maduro
Presidente condena operação militar e adota discurso alinhado a ditaduras, ignorando histórico de repressão e colapso na Venezuela
por Redação • 3 de janeiro de 2026, 11h32
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou pela primeira vez na manhã deste sábado, 3, após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos durante a madrugada, que resultou na queda do regime de Nicolás Maduro. Em nota publicada nas redes sociais, Lula condenou a ação americana e classificou os bombardeios em território venezuelano e a captura do ditador como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”.
No texto, o presidente brasileiro afirmou que os atos “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam um precedente perigoso para a comunidade internacional. Lula também declarou que atacar países em “flagrante violação do direito internacional” seria o primeiro passo para um mundo marcado pela violência e pela instabilidade, onde “a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
O posicionamento, no entanto, gerou forte reação política e diplomática, sobretudo por ignorar deliberadamente o caráter ditatorial do regime venezuelano, marcado por fraude eleitoral, censura, prisões arbitrárias, perseguição a opositores, crise humanitária e o êxodo de milhões de cidadãos ao longo dos últimos anos. Para críticos do governo brasileiro, a nota de Lula não faz qualquer menção às vítimas do chavismo nem ao colapso institucional imposto por Maduro ao país.
Ao longo do comunicado, Lula afirmou que a condenação ao uso da força seria “consistente com a posição que o Brasil sempre adotou em situações recentes em outros países e regiões”. O presidente ainda comparou a operação americana aos “piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, alegando ameaça à preservação da região como uma suposta “zona de paz”.
Na prática, analistas apontam que o discurso do Planalto reproduz a retórica tradicional de regimes autoritários, tratando uma ditadura como se fosse um Estado democrático pleno e equiparando a derrubada de um regime repressivo a uma agressão injustificada. O texto também evita qualquer referência às acusações internacionais que pesam contra Maduro, incluindo investigações por narcotráfico e violações sistemáticas de direitos humanos.
Lula defendeu ainda que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, responda “de forma vigorosa” ao episódio, e reiterou que o Brasil condena a ação dos Estados Unidos, colocando-se “à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”. Para setores mais conservadores da política externa, a fala reforça o alinhamento ideológico do atual governo brasileiro com governos autoritários da região.
Nos bastidores, o pronunciamento foi acompanhado por movimentações diplomáticas imediatas. O chanceler Mauro Vieira interrompeu compromissos no exterior e retornou a Brasília para uma reunião de emergência com o presidente, militares e diplomatas, realizada ainda nas primeiras horas do dia. Lula, que se encontra no Rio de Janeiro, avalia interromper o recesso de final de ano e retornar à capital federal para acompanhar os desdobramentos do cenário internacional.
A postura adotada pelo Planalto contrasta com a avaliação de países e lideranças que enxergam a operação americana como o colapso definitivo de um regime autoritário que já não mantinha qualquer compromisso com a democracia. Para esses observadores, a reação de Lula evidencia uma escolha política clara: a defesa da soberania de ditaduras, mesmo quando essa soberania foi construída à custa da liberdade e da vida de seu próprio povo.



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