Lula abre vantagem e pode vencer Flávio Bolsonaro já no 1º turno, apontam pesquisas de novembro
Levantamentos da AtlasIntel e do Paraná Pesquisas mostram Lula com até 47,3%, enquanto Flávio oscila entre 19,7% e 23,1%
por Redação — 07/12/2025 • 23h45
Pesquisas realizadas em novembro pela AtlasIntel e pelo Paraná Pesquisas mostram que Luiz Inácio Lula da Silva entra na disputa de 2026 com forte vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro, escolhido pelo PL como o nome do bolsonarismo para a sucessão presidencial. Os números indicam que, se o cenário atual se mantiver, Lula pode ter condições de vencer ainda no primeiro turno, algo que altera completamente o cálculo político da direita para o próximo ano.
Pelos dados divulgados, Lula aparece com índices que variam entre 36,3% e 47,3% das intenções de voto, dependendo do modelo e do cenário testado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscila entre 19,7% e 23,1%, mantendo o segundo lugar, mas longe do desempenho necessário para uma disputa equilibrada. A diferença coloca o presidente em posição confortável e acende o alerta entre dirigentes do PL e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento do Paraná Pesquisas, feito entre 6 e 10 de novembro, mostra Lula com 36,6% e Flávio com 19,7%. Já a AtlasIntel, em pesquisa realizada entre 22 e 27 de novembro, registra o petista com 47,3%, enquanto o senador alcança 23,1%. É essa distância prolongada que sustenta a possibilidade de vitória em primeiro turno, sobretudo se outros candidatos também dividirem parte do eleitorado da direita e do centro.
Um ponto decisivo observado nos estudos é que Flávio Bolsonaro não herda automaticamente o eleitorado do pai. A AtlasIntel cruzou as intenções de voto de hoje com o que os entrevistados declararam ter votado em 2022. O resultado mostra que Flávio herdaria 47,8% dos eleitores de Jair Bolsonaro. Lula, por outro lado, manteria 94,1% dos votos recebidos na eleição passada. Ou seja, enquanto o presidente preserva seu núcleo eleitoral, o senador enfrenta dificuldade para converter a base bolsonarista em apoio sólido.
Outro dado relevante aparece quando os recortes por faixa etária são analisados. Flávio só supera Lula entre jovens de 16 a 24 anos, com 31,3% contra 23,6% do presidente. Em todos os outros segmentos, Lula lidera — e com margem ainda maior entre eleitores de 60 anos ou mais, onde chega a 61,2% das intenções de voto, enquanto o senador registra 18%.
A escolha de Flávio Bolsonaro como candidato do PL ocorreu dias após o ex-presidente Jair Bolsonaro reforçar publicamente sua preferência pelo filho mais velho. A decisão, porém, reacendeu tensões internas. Michelle Bolsonaro, durante evento no Ceará, criticou acordos e movimentações do partido, evidenciando um racha que se arrasta desde que Bolsonaro foi preso e condenado por tentativa de golpe. Esse desgaste interno já vinha sendo percebido por analistas, que observam que a direita ainda não encontrou um ponto de união após a saída forçada do ex-presidente da disputa eleitoral direta.
Nos bastidores, lideranças do PL tentam blindar a candidatura de Flávio, enquanto aliados próximos afirmam que “Bolsonaro escolheu e não há mais discussão”. Mesmo assim, parte do campo conservador ainda vê Michelle Bolsonaro como um nome mais competitivo, algo que pesquisas anteriores já sugeriam. Em setembro, um levantamento apontou que ela poderia ser a adversária mais difícil para Lula, caso decidisse disputar o Planalto.
A dificuldade de Flávio em converter o eleitorado do pai tem um impacto direto em cenários de segundo turno. Em 2022, Bolsonaro recebeu 58,2 milhões de votos. Se Flávio herdasse apenas 27,8 milhões — como aponta a AtlasIntel — precisaria conquistar pelo menos outros 77,9 milhões para alcançar o mínimo necessário de 50% + 1 dos votos válidos, o que, segundo especialistas, é um desafio considerável.
As reações políticas ao anúncio da candidatura de Flávio refletem esse ambiente tenso. Parlamentares do PL, como Sostenes Cavalcante, Mario Frias, Carlos Jordy e Gustavo Gayer, defenderam o senador e reforçaram que a decisão de Bolsonaro deve ser respeitada. Já na esquerda, houve críticas imediatas. O deputado Lindbergh Farias, por exemplo, afirmou que Bolsonaro tenta evitar ser “esquecido” enquanto segue enfrentando processos e condenações, usando o apoio ao filho como forma de manter relevância.
A leitura geral de analistas e cientistas políticos é que Flávio começa a corrida com forte rejeição e baixa capacidade de expansão, enquanto Lula preserva uma fatia robusta do eleitorado. A combinação desses fatores cria um cenário no qual a vitória em primeiro turno passa a ser considerada por instituições e grupos de análise que acompanham cada movimento pré-eleitoral.
Embora ainda faltem meses para a campanha ganhar formato definitivo, os dados de novembro já influenciam estratégias e reacomodações dentro dos partidos. Caso o PL não consiga ampliar a presença e a competitividade de Flávio Bolsonaro, a disputa pode seguir em ritmo semelhante ao observado nas pesquisas — com Lula liderando com folga e sem adversários capazes de provocar uma reviravolta significativa no curto prazo.





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