Câmara de Florianópolis aprova uso da Bíblia como material de apoio em escolas e esquerda se incomoda
Projeto permite o uso opcional da Bíblia como material de apoio em disciplinas como História, Artes e Filosofia
Por Redação
13/11/2025 — 02h35
A Câmara Municipal de Florianópolis aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto de Lei 19436/2025, que autoriza o uso da Bíblia como recurso pedagógico nas escolas públicas, privadas e no ensino domiciliar da capital catarinense. A proposta, de autoria do vereador João Padilha (PL-SC), recebeu 13 votos a favor, 3 contrários e 1 abstenção. O texto segue agora para sanção do prefeito Topázio Neto (PSD).
O projeto prevê que trechos da Bíblia possam ser utilizados de forma opcional como material de apoio em disciplinas como História, Literatura, Artes, Filosofia e Ensino Religioso, sem que a leitura seja obrigatória para alunos ou professores. A justificativa apresentada afirma que a obra contém registros literários, geográficos e éticos que contribuem para o entendimento das civilizações e do desenvolvimento das ideias sociais ao longo do tempo.
A aprovação repercutiu entre diferentes correntes políticas. Parlamentares de oposição – geralmente alinhados à esquerda – manifestaram incômodo com a proposta, apontando risco ao caráter laico da educação pública. A crítica central é que, apesar de voluntário, o uso institucionalizado de um texto religioso em ambiente escolar pode criar precedentes indesejados para a neutralidade das matérias e separar alunos por convicções filosóficas ou religiosas.
Já os defensores da proposta argumentam que ampliar o repertório de referências culturais e literárias disponíveis aos estudantes não representa imposição religiosa. Eles ressaltam que a lei não altera o currículo obrigatório nem exige participação de quem não deseja envolver-se nas atividades relacionadas ao projeto.
Caso sancionada, a medida dará à prefeitura a responsabilidade de regulamentar o uso da Bíblia nas escolas e definir diretrizes de aplicação, garantindo que permaneça como ferramenta pedagógica acessória — e não como conteúdo curricular principal.
Com essa aprovação, Florianópolis avança para incorporar no ambiente educacional um debate sobre a presença de referências religiosas e culturais no processo de ensino. A continuidade da proposta e sua implementação prática dependem agora da sanção e das ações dos gestores educacionais.





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