Disputa pela vaga no Senado em Santa Catarina provoca racha entre bolsonaristas
Nomeações antecipadas e divergências internas revelam fissura no núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro
Por Redação — 08/11/2025 — 20:01
A corrida pelas duas cadeiras do Senado por Santa Catarina, em disputa nas eleições de 2026, rapidamente se transformou num campo de tensão e conflito entre os apoiadores de Jair Bolsonaro no estado. A situação ganhou contornos explícitos quando o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) anunciou a intenção de concorrer ao Senado por Santa Catarina — movimento que levantou desconforto nos bastidores e deixou claro que as articulações locais estão aquecidas.
Em anúncio feito no X (antigo Twitter), Carlos Bolsonaro declarou que “os pré-candidatos ao Senado em Santa Catarina de Jair Bolsonaro são Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro”. A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) também figura com pretensão à vaga, e manifestou que, se o PL não viabilizar sua candidatura, poderia migrar para o partido Novo.
Nos bastidores, a repercussão é marcada por insatisfação entre quadros da direita catarinense. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), aliada de Caroline de Toni, afirmou que a vaga “do PL” em Santa Catarina estava reservada para Caroline, e que o anúncio de Carlos Bolsonaro implicava uma interferência externa pouco bem recebida.
A articulação ganhou contornos práticos: o governador Jorginho Mello (PL-SC) chegou a negociar composições que incluíam Caroline de Toni e o Esperidião Amin (PP-SC), mas a determinação de Jair Bolsonaro de que seu filho participasse da disputa resultou em mudanças de plano.
Enquanto isso, Caroline de Toni avaliou a migração para outro partido como alternativa de viabilizar sua candidatura. A Gazeta do Povo afirmou que ela já recebeu convite do Novo e de outras legendas. A movimentação expõe que a disputa não é apenas interna ao PL, mas envolve alianças regionais, divisão de tempo de propaganda, espaço eleitoral e cálculos de poder.
No contexto desse embate, pesquisas de intenção de voto apontam que Carlos Bolsonaro aparece com vantagem inicial — levantamento do instituto Real Time Big Data indicou 45% para ele, 33% para Caroline de Toni e 21% para o senador Esperidião Amin. A vantagem, porém, não garante tranquilidade: a mobilização de Caroline e seu possível partido alternativo podem alterar o cenário.
A situação revela que o PL e seus aliados buscam manter hegemonia → garantir dois senadores alinhados ao núcleo bolsonarista. Até agora, porém, o processo está longe de estar definido — com pressão de dentro do próprio partido, movimentação de legendas satélites e incertezas sobre as alianças regionais.





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