Moraes mantém monitoramento de Bolsonaro e aumenta tensão no Congresso
Decisão de Alexandre de Moraes evita prisão preventiva, mas amplia desgaste político e mobiliza oposição
Por Redação | 30 de agosto de 2025, 11h28
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter o ex-presidente Jair Bolsonaro sob monitoramento eletrônico, em vez de decretar sua prisão preventiva em regime fechado. A medida foi interpretada como uma solução intermediária diante do descumprimento de cautelares por parte do ex-chefe do Executivo.
Juristas de diferentes correntes reconhecem que Bolsonaro teria desrespeitado algumas das restrições impostas anteriormente. Ainda assim, a decisão de Moraes foi vista como uma saída política para evitar um embate mais direto com setores da sociedade e da comunidade internacional. Uma prisão preventiva poderia gerar reações adversas, inclusive no Congresso Nacional e em países como os Estados Unidos, onde há expectativa de manifestações de Donald Trump em defesa do aliado brasileiro.
Na prática, a rotina de Bolsonaro pouco se altera. Ele segue em sua residência, usando tornozeleira eletrônica, com direito a uma visita diária previamente autorizada. Entre os visitantes frequentes está o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e principal interlocutor político no momento.
O impacto maior recai sobre o ambiente político em Brasília. A oposição promete radicalizar o discurso e levar o caso para o centro das discussões no Congresso, o que deve tumultuar a próxima reunião do colégio de líderes. Além disso, a pauta da anistia — já em debate no Legislativo — tende a ser contaminada por esse novo capítulo. O governo, que tenta avançar em medidas econômicas como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, pode enfrentar maior dificuldade em articular sua base.
Em meio a uma CPMI do INSS e a outras matérias de interesse do Planalto, a decisão de Moraes acrescenta combustível a um cenário já marcado por tensões. Para a oposição, trata-se de mais uma demonstração do ativismo judicial que, em vez de pacificar, tende a aprofundar a divisão política no país.



Publicar comentário