Governo Lula volta a falar em “golpe” dos EUA para justificar crise política
Narrativa petista tenta associar Trump e Bolsonaro a uma suposta tentativa de mudança de regime no Brasil
Por redação, dia 16 de agosto de 2025 às 20:41
O governo Lula voltou a adotar um discurso que se repete na história recente do Partido dos Trabalhadores: diante de qualquer ameaça política ou desgaste de imagem, a palavra “golpe” é convocada para o centro do debate. Desta vez, a acusação é de que os Estados Unidos, por meio do ex-presidente Donald Trump, estariam articulando uma suposta “mudança de regime” no Brasil, mirando além da figura de Jair Bolsonaro e interferindo diretamente no processo eleitoral de 2026.
A narrativa, segundo fontes do Planalto, aponta para um risco de contestação da legitimidade das eleições caso Bolsonaro permaneça fora da disputa. Na prática, esse discurso se aproxima da retórica de regimes autoritários da América Latina, como Venezuela e Nicarágua, que eliminam opositores do páreo e depois acusam governos estrangeiros de tentativa de desestabilização. No Brasil, o caso mais emblemático é a inelegibilidade de Bolsonaro, construída em cima de um episódio sem peso prático — uma reunião com embaixadores que não teve poder algum de alterar o processo eleitoral — mas usada como justificativa para retirá-lo do jogo político.
O que chama atenção é que a narrativa petista pouco difere de versões anteriores. O impeachment de Dilma Rousseff foi tachado de golpe, as derrotas eleitorais do partido também receberam o mesmo rótulo, e até a vitória de Bolsonaro em 2018 foi classificada como resultado de forças golpistas. Sempre que perde espaço, o PT resgata esse discurso como forma de mobilizar a militância e tentar se vitimizar perante a opinião pública.
A acusação de que Trump ou os Estados Unidos estariam orquestrando uma intervenção soa, para muitos, como exagero e tentativa de vitimismo. Afinal, contestar eleições sem a presença do principal opositor não é golpe, mas sim defesa da democracia, já que a exclusão de adversários é prática típica de regimes autoritários — exatamente o que o governo diz combater.
O que se vê, portanto, é mais um capítulo do tradicional “canto da derrota petista”: transformar críticas legítimas, internas ou externas, em suposta conspiração contra a soberania nacional. A estratégia pode até funcionar entre apoiadores fiéis, mas dificilmente convence a sociedade que já se acostumou a assistir, sempre que o partido se enfraquece, a mesma narrativa de “golpe” ser repetida à exaustão.





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