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Com sanções em pauta, Bolsonaro continua fortalecido e esquerda entra em choque

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Com sanções em pauta, Bolsonaro continua fortalecido e esquerda entra em choque

Crise comercial com os EUA reposiciona o debate político no Brasil e reacende protagonismo da direita

Por Redação | Publicado em 12 de julho de 2025 às 23h59

As sanções tarifárias impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, lideradas pelo ex-presidente Donald Trump, provocaram impactos que vão além da economia. O episódio expôs a fragilidade da política externa do governo Lula e redesenhou o cenário político nacional. Ao contrário do que setores governistas esperavam, o ex-presidente Jair Bolsonaro reaparece fortalecido em meio à crise, enquanto a esquerda enfrenta dificuldades para sustentar sua narrativa.

O governo apostava na chamada “unidade nacional” diante das sanções, inspirando-se no chamado “efeito Canadá”, em que a oposição se unificou em torno do primeiro-ministro durante um conflito com os EUA. No entanto, o contexto brasileiro se mostra diferente: a polarização persiste, e a insatisfação popular com a condução do governo acabou reforçando vozes críticas — sobretudo no campo conservador.

Reação nas redes e redesenho do discurso

Nas 48 horas seguintes ao anúncio do aumento tarifário, houve uma intensa movimentação nas redes sociais. Levantamentos apontam que cerca de 90% das mensagens virais sobre o tema foram críticas ao governo federal, muitas delas resgatando a figura de Bolsonaro como contraponto ao atual presidente.

Diferente do que ocorreu em ciclos anteriores, a resposta da base de direita foi rápida e coesa. A narrativa que ganhou mais força associa a crise atual a falhas diplomáticas recentes, e aponta a postura confrontadora de Lula como um dos gatilhos para o agravamento da relação com os Estados Unidos.

Bolsonaro no centro do debate político

Mesmo fora do cargo e com restrições políticas, Jair Bolsonaro volta ao centro do debate nacional como referência para parte significativa do eleitorado. Políticos próximos a ele, como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, adotaram posturas firmes e equilibradas ao defenderem a necessidade de reconstrução dos laços diplomáticos e comerciais com os EUA.

Essas manifestações, somadas à resposta popular, demonstram que o capital político de Bolsonaro permanece ativo. Em vez de se diluir com o tempo, sua imagem parece se consolidar como um símbolo de resistência a um governo que, segundo seus críticos, tem perdido espaço no campo internacional e na confiança popular.

Expectativas para os próximos meses

Embora ainda seja cedo para prever o impacto eleitoral da crise, analistas já indicam que o episódio marca uma inflexão na imagem do atual governo. A tentativa de associar as sanções ao ex-presidente Bolsonaro, embora recorrente em discursos oficiais, não encontrou ampla ressonância fora do campo progressista.

A base conservadora, por outro lado, conseguiu rearticular seu discurso e mobilizar setores sociais insatisfeitos com o desempenho econômico e a condução diplomática do governo. Em um cenário onde a confiança do mercado é sensível e a opinião pública se movimenta rapidamente, esse reposicionamento pode ser determinante para o que virá em 2026.

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